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11 Agosto de 2017 | 14h19 - Actualizado em 11 Agosto de 2017 | 14h19

RCA: País encontra-se à beira da proliferação de grupos armados - relatório

Libreville - A República Centro Africana está ameaçada pela proliferação de grupos armados que lutam pelo controlo dos recursos naturais, provocando uma divisão de facto do país, segundo o relatório de um grupo de reflexão publicado quinta-feira, numa altura em que se multiplicam as violências e a ONU evoca um risco de "genocídio".

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Mapa da República Centro Africana

Foto: Angop

"Estes grupos proliferaram-se, impondo de facto uma divisão (do país) e fazendo da predação económica um elemento central da sua estratégia", explica a Enough Project que cartografa 14 milícias e quatro grupos político-militares.

O "controlo dos recursos naturais" da República Centro Africana (RCA), um país rico em ouro e diamantes, alimenta principalmente as "lutas fratricidas" entre grupos armados, acrescenta o relatório do think tank americano cujo objectivo é acabar com o genocídio e os crimes contra a humanidade, especialmente em África.

A ex-colónia francesa de 4,5 milhões de habitantes mergulhou numa guerra em 2013 após o derrube do presidente François Bozizé pela coligação Séléka que afirmava defender os cerca de 20% dos muçulmanos, levando a uma contra-ofensiva das milícias anti-Balaka predominantemente cristã.

O relatório faz compreender que esta leitura inter-religiosa do conflito não é a mais a válida porque certos grupos armados, anteriormente inimigos, se aliam pontualmente "segundo uma agenda política própria".

"Há 10 meses, a aliança formada por três facções ex-Séléka e um grupo anti-Balaka está na origem da essência dos surtos de violência na RCA”, explica assim Nathalia Dukhan, autora do relatório.

Esta coligação reagrupa a Frente Popular para a Renascença centro-africana (FPRC), o Movimento Patriótico Centro -africano (MPC), a União Patriótica para a renovação da RCA (RPRC) e os anti-Balaka de tendência Mokom, cujo líder se chama Maxime Mokom.

Novos grupos armados surgem "com uma frequência alarmante" e a crise "aprofunda-se dia a dia", acrescenta a pesquisadora.

O ex-Séléka foi assim dividido em oito grupos armados, enquanto as milícias anti-Balaka foram divididas em quatro grupos.

A intervenção da França (2013-2016) e da Missão das Nações Unidas (Minusca, 12.500 homens) permitiu um regresso à calma na capital, Bangui, mas não no interior do país.

Assuntos RCentro Africana  

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