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15 Fevereiro de 2018 | 02h23 - Actualizado em 15 Fevereiro de 2018 | 02h23

África do Sul: Polícia investiga paradeiro do dinheiro público

Pretória - No mesmo dia em que Jacob Zuma anunciou a sua demissão do cargo de presidente da África do Sul, uma dúzia de polícias de uma unidade especial, os Hawks (falcões), entraram na mansão da família Gupta, em Saxonwold, um subúrbio rico de Joanesburgo para investigar sobre o dinheiro de apoios estatais a uma quinta de produção de leite.

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O dinheiro público, que acabou na conta de um dos irmãos Gupta, foi também usado para pagar um casamento

A queda em desgraça desta família de empresários indianos, que se impôs na economia sul-africana, tecendo uma perigosa teia de cumplicidades com o Presidente e o seu filho, Duduzane, bem como com outras figuras da administração, ligadas ao Congresso Nacional Africano (ANC), terá o efeito de tempestade de lama na África do Sul.

A carrinha da polícia que saiu dos portões da mansão levaria lá dentro Ajay Gupta, um dos irmãos. Ajay está detido e o irmão Atul está a ser interrogado, noticiou o site sul-africano News24.

A causa próxima desta acção policial, no mesmo dia em que o Congresso Nacional Africano forçou o Presidente Zuma a demitir-se, é o relatório apresentado na semana passada pela Provedora de Justiça Busiswe Mkhwebane sobre a Quinta Vrede.

Um apoio estatal de cerca de 15 milhões de euros (200 milhões de rands), que devia ter sido usado para ajudar agricultores negros na província Estado Livre foi canalizado directamente para contas dos Guptas no estrangeiro e acabou por ser usado para pagar um casamento da família em 2013. O caso foi revelado na fuga de informação de 2017 conhecida como "GuptaLeaks", em que foram divulgados cerca de 200 mil e-mails e outros documentos relacionados com a família Gupta.

O relatório de Mkhwebane é controverso, porque não acusa directamente a empresa da família Gupta, que dirigia o projecto, recomenda antes que o então primeiro-ministro da província e actual secretário-geral do ANC, Ace Magashule, tomasse medidas contra os elementos da sua administração envolvidos no caso.

Embora o próprio Magashule também estivesse implicado. Era tudo muito confuso, e antes da actual crise, estava agendado que a provedora prestasse esclarecimentos no Parlamento esta quarta-feira.

Em Janeiro, o Ministério Público sul-africano tinha já obtido um mandado para congelar cerca de 106 milhões euros nas contas da multinacional norte-americana McKinsey e da empresa Trillian, ligada aos Guptas, devido a um contrato suspeito que liga estas duas entidades à empresa pública de electricidade Eskom, cuja gestão foi desastrosa, noticiou o Le Monde. Ao todo, foram abertas 17 investigações sobre empresas ligadas aos Guptas, na tentativa de recuperar 3,3 mil milhões de euros do dinheiro público.

O facto de a família Gupta estar a ser chamada a prestar contas na Justiça, após muitos anos de denúncias e casos, com Duduzane Zuma, o filho do Presidente, a ocupar cargos de direcção em várias empresas da holding desde meados dos anos 2000, está a ser visto como prova de que algo está a mudar desde que Cyril Rampahosa foi eleito para a direcção do ANC, em Dezembro. “O Estado parece estar a funcionar outra vez”, comentou Adrian Basson, editor do site News24.

E sobre as culpas de Zuma, Basson não hesita: “Não haja dúvidas de que Zuma sénior foi o Padrinho nesta organização criminal. A pilhagem nas empresas estatais não teria sido possível se ele não o tivesse facilitado nomeando ministros complacentes que ajudaram os Guptas”. 

Assuntos África do Sul  

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