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10 Abril de 2019 | 17h30 - Actualizado em 10 Abril de 2019 | 17h30

Manifestantes voltam às ruas na Argélia

Argel - O presidente interino da Argélia, Abdelkader Bensalah, enfrenta nesta quarta-feira (10) novos protestos e uma convocação para uma greve geral no dia seguinte a sua nomeação e depois de ter prometido eleições transparentes dentro de três meses, segundo noticiou a AFP.

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"'Saia, Bensalah!" e "Argélia Livre", gritaram os milhares de manifestantes concentrados na capital Argel, cercados por um importante dispositivo policial, dando continuidade a protestos que começaram sete semanas atrás.

Os manifestantes rejeitam tanto Bensalah e Nureddin Bedui, o primeiro-ministro, quanto Tayeb Belaiz, presidente do Conselho Constitucional, e pedem "um período de transição administrado por representantes das pessoas fora do sistema".

Presidente do Conselho da Nação (Senado), Bensalah foi nomeado presidente interino uma semana após a renúncia do presidente Abdelaziz Bouteflika, uma decisão constitucional contrária ao desejo dos argelinos, que exigem o fim do regime.

Reunido em sessão plenária, o Parlamento nomeou Bensalah, de 77 anos, considerado um produto do "sistema", para ocupar o cargo por 90 dias.

Após este período, uma eleição presidencial deverá ser organizada e, nela, Bensalah não poderá apresentar-se.
Já na terça-feira, milhares de estudantes argelinos ocuparam as ruas do centro da capital para gritar "fora, Bensalah!".

Pela primeira vez em sete semanas de protestos, a polícia usou gás lacrimogéneo para tentar dispersar os manifestantes, constataram jornalistas da AFP. Jatos d'água também foram usados.

O ex-presidente Bouteflika, de 82 anos, com saúde frágil desde o derrame sofrido em 2013, renunciou em 2 de Abril após 20 anos no poder, sob a pressão das ruas e do Exército.

Desde 22 de Fevereiro, os argelinos manifestam-se contra a possibilidade de Bouteflika apresentar-se para um quinto mandato nas eleições a serem realizadas em Abril.

Uma semana após a saída de Bouteflika, os deputados da Assembleia Popular Nacional (APN, Câmara baixa) e do Conselho da Nação (Câmara alta) foram convocados para nomear um novo presidente interino.

Abdelkader Bensalah, presidente do Conselho da Nação por quase 17 anos, era um homem leal a Bouteflika.
"Vou trabalhar pelos interesses do povo", prometeu Bensalah ao Parlamento.

O principal partido islamista da Argélia, o Movimento da Sociedade pela Paz (MSP), que apoiou Bouteflika por um tempo antes de romper com ele em 2012, anunciou na segunda-feira que iria boicotar a sessão parlamentar por sua
"posição contrária às exigências do povo".

Até mesmo o jornal pró-governo El Moudjahid havia sugerido na terça-feira que Bensalah fosse descartado.

O problema é que o chefe do Estado-Maior do Exército, o general Ahmed Gaid Salah, de facto o novo líder do país, exige que a sucessão de Bouteflika seja feita dentro do quadro estrito da Constituição.

Já o movimento de protesto exige instituições de transição que permitam reformas profundas e eleições livres.

Em meio ao movimento de contestação popular que levou à renúncia de Bouteflika, o director do escritório da Agence France Presse (AFP) em Argel, Aymeric Vincenot, de 45 anos, foi expulso na terça-feira pelas autoridades argelinas, que se negaram a renovar sua credencial para 2019.

Vincenot, de 45 anos, que ocupava o cargo em Argel desde Junho de 2017, teve de deixar o país. A decisão foi considerada "inaceitável" pelo presidente da AFP, Fabrice Fries, que disse que "nessas condições", não se considera nomear de imediato um novo director para a Argélia.

O Ministério francês das Relações Exteriores também se pronunciou. "Lamentamos essa decisão e lembramos nosso compromisso com a liberdade de imprensa e com a protecção dos jornalistas no mundo todo", declarou a porta-voz da Chancelaria, Agnès von der Mühll, em entrevista coletiva.

Para o presidente da ONG Repórteres sem Fronteiras, Christophe Deloire, "a expulsão do director do escritório da AFP na Argélia é mais do que um sinal extremamente negativo".

"É o indício de uma vontade de dissimulação: por que violar a liberdade de imprensa nesse período político?", acrescentou, no Twitter.

Assuntos Manifestações  

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