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11 Junho de 2019 | 17h54 - Actualizado em 11 Junho de 2019 | 19h23

Capital do Sudão continua paralisada por movimento de desobediência civil

Cartum - Lojas e empresas estavam fechadas nesta terça-feira, em Cartum, a capital do Sudão, no terceiro dia de um movimento de desobediência civil que visa pressionar o Conselho Militar Provisório a entregar o poder aos civis.

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Uma semana depois da violenta dispersão de manifestantes que protestavam em frente ao quartel-general do Exército em Cartum, o país estava quase isolado do mundo até a madrugada de hoje, quando a conexão de Internet da Sudatel, o principal provedor do país, voltou a ser estabelecida.

Após o anúncio do movimento de desobediência civil no domingo, o exército prometeu "reforçar a segurança" e responsabilizou o movimento de protesto pelos "incidentes recentes e infelizes", assim como pelos bloqueios nas estradas. Nesta terça-feira, alguns autocarros públicos com passageiros a bordo circulavam em algumas zonas da capital, mas os bairros de negócios de Cartum estavam quase sem circulação, de acordo com um jornalista da AFP.

"Nos últimos três dias, perdemos muito dinheiro", lamentou Ibrahim Omar, que trabalha para um operador turístico. As agências de viagens foram particularmente afectadas pelo bloqueio do acesso à Internet na segunda-feira. "Não podemos fazer nada. Não temos reservas de voos. Espero que isso pare", acrescentou. Dentro do movimento de protesto, que, no final de Maio, conseguiu paralisar o país com uma greve geral de dois dias, alguns comemoraram o sucesso da desobediência civil.

"Uma acção como essa não mata ninguém e, ao mesmo tempo, mantém a pressão sobre o Conselho Militar", disse Ishraga Mohamed, um simpatizante. Os protestos no Sudão iniciaram em Dezembro, quando o preço do pão triplicou e, na sequência, evoluiu para um movimento político.

Após a destituição do presidente Omar Al-Bashir por parte dos militares em 11 de Abril deste ano, milhares de manifestantes que estavam acampados em frente ao quartel-general do exército recusaram-se a deixar o local, passando a exigir a transferência de poder para os civis.

Após o fracasso das negociações entre os manifestantes e o Conselho Militar, porém, a manifestação foi violentamente dispersada em três de Junho.

Em comunicado divulgado pela agência de notícias estatal Suna, os generais no poder afirmaram que foi aberta uma investigação e que decidiu-se prender essas pessoas. Os envolvidos - acrescentam as autoridades militares - serão levados à justiça o quanto antes. O Conselho Militar não divulgou o número de detidos, as funções que exercem, nem as acusações que pesam sobre eles.

Assuntos Manifestações  

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