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10 Julho de 2019 | 15h30 - Actualizado em 10 Julho de 2019 | 15h29

RDC: Presidência do Senado cria fissuras na Frente Comum para o Congo

Kinshasa - A Frente Comum para o Congo (FCC) está dividida entre a candidatura única de Aléxis Thambwe Mwamba, escolhido pelo seu líder Joseph Kabila, e a de Modeste Bahati Lukwebo, indicado pela Aliança das Forças Democráticas do Congo e Aliados (AFDC-A), quanto à escolha do futuro presidente do Senado.

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Bandeira da República Democrática do Congo

Foto: Angop

(Por João Gomes Gonçalves)

Por causa desse desentendimento, Bahati Lukwebo - líder da AFDC-A - foi suspenso terça-feira (9) daquela plataforma, por tempo indeterminado.

A suspensão foi tornada pública em Kinshasa (RDC), pelo seu porta-voz, Jean Lucién Mbusa, no termo de uma conferência dos presidentes das plataformas e dos partidos ligados à FCC.

Um dia antes, uma dúzia de deputados e senadores da AFDC-A contestaram a sua opção, que consideram de rebelião contra Joseph Kabila.

Os dissidentes, dos quais 80% são originários de Maniema, província de Aléx Tambwe Mwamba, declararam-se solidários com este último, prometendo-lhe apoio total durante a eleição do futuro presidente do Senado.

Em reacção à declaração dos deputados e senadores do Maniema que apoiam Tambwe Mwamba, os membros da AFDC-A, da província do Kivu-Sul, de onde é descendente Modeste Bahati, acusam-nos de traidores.

Os parlamentares apontam esses colaboradores directos de Kabila como estando a “diabolizar” Bahati e a desestabilizar a formação política a que pertencem.

Embora suspenso, Modeste Bahati Lukwebo diz-se determinado a lutar contra “ventos e marés”.

“Mantenho a minha candidatura, porque considero que com 109 deputados, nacionais e provinciais, não posso competir com um candidato independente”, sustentou.

A atitude liga-o ao facto da AFDC-A ter a sua autonomia jurídica para apresenta-lo como candidato, ao contrário da FCC que não a tem.

“Os candidatos que eles apresentarão serão independentes e não como membros FCC. Tomamos conhecimento da sua suspensão e assumimos a nossa autonomia”, concluiu.

Nas últimas eleições legislativas, a AFDC-A obteve 109 eleitos, sendo 41 deputados nacionais e 68 provinciais, seguido pelo PPRD, com 108 eleitos, 52 nacional e 56 provinciais.

Os 109 eleitos da AFDC-A são provenientes de todos os cantos da RDC, o que confirma o seu carácter de partido nacional.

Recorde-se que a 28 de Janeiro último, numa carta enviada a Joseph Kabila propusera um modelo de repartição de postos de responsabilidade política entre as diversas formações políticas da FCC, tendo em conta que o PPRD e Aliados tinham obtido 33% de eleitos, entre deputados nacionais e provinciais, contra 67% para os aliados da FCC.

Em suma, o duelo entre os eleitos do Maniema e do Kivu-Sul, demonstra que os deputados e senadores das duas províncias, embora pertençam a uma mesma formação política, ainda pautam-se pelas clivagens tribais e étnicas, muito bem aproveitadas pela autoridade moral da FCC.

São esses comportamentos oficialmente negados pelas autoridades políticas congolesas, mas que mantêm o país instável.

Em 2006, quando Joseph Kabila escolheu Léonard She Okitundu como candidato à presidente do Sanado, o mesmo foi surpreendido com derrota, a favor do então independente Léon Kengo Wa Dongo, que dirigiu a Câmara alta até 2018, por não ter havido eleições senatoriais, em 2011.

Assuntos RDCongo  

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