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11 Julho de 2019 | 11h33 - Actualizado em 11 Julho de 2019 | 11h33

Vacinação contra sarampo pretende proteger 67 mil crianças na RDC

Kinshasa - Profissionais de saúde lançaram uma campanha de vacinação contra o sarampo junto de 67 mil crianças em Ituri, região no nordeste da República Democrática do Congo (RDC), devastada pelo conflito armado e pelo vírus do Ébola, anunciou hoje a Unicef.

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De acordo com a agência das Nações Unidas, que apoia a campanha em parceria com a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), existem relatos de pelo menos 1.981 mortes devido ao sarampo na RDC este ano, mais de dois terços crianças com menos de 5 anos de idade.

Em Junho último, estavam contabilizados perto de 115 mil casos suspeitos de sarampo, quase o dobro dos 65 mil registados em 2018, segundo a Unicef.

Em Ituri, uma das duas províncias da RDCongo – Kivu do Norte é a segunda – atingidas pelo segundo surto de Ébola mais mortal da história registaram-se mais de 5.400 de sarampo e 50 mortes desde que o vírus do Ébola atingiu a região, há quase um ano.

“A ameaça combinada do Ébola e do sarampo para os milhares de famílias que vivem em campos de refugiados sobrelotados e insalubres, não tem precedentes”, alertou o representante da Unicef na RDC, Edouard Beigbeder, citado no comunicado.

“Temos uma pequena janela de oportunidade para evitar uma potencial grande perda de vidas”, acrescentou.

A campanha de vacinação contra o sarampo foi iniciada em quatro campos de deslocados em Bunia, Ituri, que receberam um enorme número de famílias migrantes nos últimos meses.

O limite de um acampamento, localizado ao lado do Hospital Geral de Bunia, fica a menos de 100 metros de distância de um centro de tratamento de Ébola.

Está também a menos de três quilómetros das zonas de Bunia onde se registaram cinco casos de Ébola, dois deles nas últimas três semanas, avança o comunicado.

O surto de Ébola impõe à campanha de vacinação contra o sarampo medidas adicionais para protecção contra a infecção e requer uma triagem meticulosa. “Os profissionais de saúde necessitam de se proteger com aventais para evitar o contacto com sangue ou outros fluídos corporais”, explica-se ainda no comunicado.

“Um dado adicional que eleva ainda mais a complexidade desta campanha, é que alguns dos primeiros sintomas do Ébola – febre, vermelhidão ao redor dos olhos, diarreia – são praticamente indistintos dos do sarampo, malária ou cólera – todos prevalentes, especialmente em locais de deslocamento severamente congestionados”, segundo a Unicef.

Em 8 de Julho, havia registo de 2.428 casos de Ébola, com 1.641 mortes. Quase 30 por cento dos casos são crianças.

Acredita-se que até 400 mil pessoas estejam deslocadas internamente em Ituri, a grande maioria delas mulheres e crianças. Muitos vivem nos cerca de 35 campos espalhados pela província, em território praticamente inacessível devido à insegurança. A luta entre vários grupos armados danificou ou destruiu até metade das instalações de saúde e as escolas da província.

“A parte nordeste da República Democrática do Congo acolhe uma das piores crises humanitárias dos dias de hoje. Seja de sarampo, Ébola ou a realidade de viver num campo de refugiados, as crianças correm um sério risco. Devemos fazer tudo o que pudermos para as proteger”, alertou ainda Edouard Beigbeder.

Assuntos RDCongo   Saúde  

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