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09 Setembro de 2019 | 11h55 - Actualizado em 09 Setembro de 2019 | 13h19

Líder comunitário destaca sofrimento de portugueses na África do Sul

Joanesburgo - O líder do Fórum Português da África do Sul disse domingo que os portugueses naquele país estão "também a sofrer", e apelou ao governo português para atender a sua diáspora na economia mais industrializada de África, segundo a Lusa.

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"Nós, portugueses, estamos também a sofrer", sublinhou o empresário Manny Ferreirinha, na abertura de um encontro organizado por aquela organização da sociedade civil luso-sul-africana, com cerca de 50 comerciantes e empresários portugueses alvo de saques e destruição por tumultos populares xenófobos, em Gauteng, província envolvente a Joanesburgo e Pretória, epicentro da violência.

No encontro, realizado junto do memorial das vítimas portuguesas do crime na África do Sul, na Igreja Nossa Senhora de Fátima, em Benoni, leste de Joanesburgo, o líder comunitário recordou também os processos de descolonização do governo português em Angola e Moçambique, de que milhares de cidadãos portugueses na África do Sul foram alvo, assim como a "vida de retornados", a que muitos foram também sujeitos em Portugal.

"Quem está a sofrer aqui são de facto as nossas crianças e as nossas mulheres", adiantou Manny Ferreirinha.

"Nunca nenhum embaixador de Portugal depositou até hoje uma coroa de flores neste memorial, o que demonstra como as autoridades portuguesas pensam, à excepção do Consulado", adiantou.

"É graças ao padre Carlos Gabriel (ex-pároco da Igreja Portuguesa de Benoni e fundador do Fórum Português, em 2001), que continuamos o nosso caminho nesta terra", disse.

"A maioria de nós somos operacionais, empregamos milhares de trabalhadores na África do Sul, não vamos ficar calados mas também não vamos recorrer às redes sociais, mas sim dialogar com as autoridades sul-africanas pelos canais adequados a todos os níveis", adiantou.

Nesse sentido, "é necessária liderança mandatada pela comunidade", frisou.

O empresário luso descendente considerou que "os portugueses têm sido apanhados no meio de guerras campais, entre sul-africanos e várias comunidades estrangeiras, nomeadamente também somalis, paquistaneses, muçulmanos e nigerianos", e instou os comerciantes e líderes comunitários presentes a documentar os incidentes de que são alvo "quase diariamente".

Segundo Ferreirinha, o Fórum está a preparar encontros com o governador de Gauteng, David Makhura, e o comissário provincial da polícia, Elias Mawela, antecipando igualmente um segundo encontro com o chefe de Estado sul-africano, Cyril Ramaphosa.

Enquanto o encontro decorria no salão da Igreja Católica Portuguesa em Benoni, onde foi construído um memorial em mármore de homenagem a cerca de 460 portugueses assassinados na África do Sul desde a fim do “apartheid” em 1994, os participantes acompanhavam pelo telemóvel uma marcha de protesto contra estrangeiros a ter lugar naquele momento, no centro da cidade de Joanesburgo.

Centenas de manifestantes sul-africanos de etnia Zulu, percorreram hoje a ruas de Joanesburgo entre Jeppestown e Jules Street, palco de ataques violentos contra negócios de comerciantes portugueses desde domingo, e onde o líder zulu do partido Livre Inkatha, Mangosuthu Butelezi, ao falar contra a violência xenófoba, tentou apaziguar os "ânimos" dos seus guerreiros que empunhavam armas tradicionais, incluindo pangas, e entoaram cânticos como "os estrangeiros devem ir embora para o seu país".

Um comerciante português disse à Lusa que foi obrigado pela polícia a encerrar domingo o estabelecimento pelas 14:15 (local).

Cinco lojas de comerciantes portugueses identificados pela Lusa foram alvo de saques e destruição material, durante a alegada violência xenófoba popular em Joanesburgo e cidades vizinhas, mas o balanço é ainda provisório.

Segundo o levantamento feito pela Lusa, os prejuízos materiais ascendem agora a 11,3 milhões de rands (cerca de 691 mil euros).

A polícia provincial de Gauteng, envolvente a Joanesburgo, Pretória, Ekhuruleni, Kempton Park, Benoni e Germiston, epicentros de saques violentos, confirmou a morte de 11 pessoas e a pilhagem e destruição de vários negócios, na maioria, imigrantes estrangeiros.

A polícia anunciou também a detenção de 497 pessoas, desde o passado domingo.

Assuntos Violência  

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