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10 Abril de 2020 | 22h08 - Actualizado em 10 Abril de 2020 | 22h08

Instabilidade e incerteza no Sudão um ano após destituição de al-Bashir

Cartum - Um ano após a destituição de Omar al-Bashir da presidência do Sudão, o país continua a enfrentar uma situação de instabilidade e incerteza, com as previsões a apontarem para mais um ano de recessão, agravada pelas sanções internacionais.

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Bandeira do Sudão

Foto: Divulgação

Al-Bashir, um dos Presidentes africanos durante mais tempo à frente do respectivo país, foi destituído a 11 de Abril de 2019, num golpe conduzido por militares após quatro meses de protestos que se tinham iniciado pelo aumento do preço do pão e por uma crescente onda de revolta contra a liderança do então chefe de Estado.

O ex-Presidente sudanês, que liderou o país durante quase trinta anos com punho de ferro, foi então detido numa prisão em Cartum, tendo sido condenado, em Dezembro, a dois anos de prisão por corrupção.

O período pós-destituição de al-Bashir não foi pacífico, com a sociedade civil e a população a não ficarem satisfeitas com a tomada de poder pelos militares. Esta divisão motivou novos protestos, resultando em conflitos violentos e que vitimaram centenas de manifestantes.

Em Agosto, após um acordo entre sociedade civil e militares, tomou posse o Conselho Soberano, liderado pelo general Abdel-Fattah Burhan, que está encarregue de supervisionar a transição e a liderança do país durante cerca de três anos.

O primeiro-ministro, Abdulla Hamdok, um economista nomeado para o cargo também em Agosto de 2019, pretende conduzir o país para uma situação de estabilidade e melhoria financeira.

Para isso, o Governo sudanês precisa de enfrentar uma inflação crescente, uma elevada dívida pública e a resolução de conflitos com grupos rebeldes.

Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), a economia do país da África Central registou uma recessão de 2,4% em 2019, "impulsionada por uma contracção no sector dos serviços e no investimento em imobiliário e serviços empresariais".

Para este ano, a instituição financeira africana estima uma nova recessão de 1,6%, assim como uma outra quebra de 0,8% em 2021. O BAD indica "a situação política, a tépida procura doméstica e um fraco investimento no sector privado" como as razões para esta recessão no país.

Após registar uma inflação de 50,6% em 2019, o BAD estima que esta alcance os 61,5% em 2020.

Uma das maiores dificuldades registadas pela economia sudanesa resulta da presença do país na lista de "países que apoiam o terrorismo", dos Estados Unidos da América.

Num documento datado de 07 de Fevereiro, os EUA assinaram um acordo para a retirada do Sudão desta lista, que excluía a nação sudanesa da economia global e limitou a capacidade desta em receber empréstimos de instituições como o Fundo Monetário Internacional.

A retirada da lista surgiu após Cartum ter aceitado pagar uma compensação às vítimas de um ataque contra o navio da Marinha de Guerra dos Estados Unidos, USS Cole, em 2000, que fez 17 mortos e foi reivindicado pela Al-Qaeda. Segundo as autoridades judiciais norte-americanas, o ataque foi executado por dois extremistas treinados no Sudão.

O Sudão negou constantemente a responsabilidade, mas aceitou o pagamento desta compensação com o objectivo de ser removido da lista.

Assim, a administração espera que o levantamento, em Março, das sanções aplicadas a 157 empresas sudanesas permita a atracção de investimento estrangeiro.

Em termos de segurança, além de uma alegada tentativa de assassinato contra o primeiro-ministro em Março, o Sudão continua a testemunhar conflitos em zonas como o Darfur.

Na região, onde o conflito está presente há mais de 17 anos, as Nações Unidas estimam que já tenham morrido mais de 300 mil pessoas.

Assuntos Sudão  

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