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08 Maio de 2017 | 20h32 - Actualizado em 08 Maio de 2017 | 20h32

Funcionário público dá exemplo de empreendedorismo no município da Chicala-Cholohanga

Chicala-Cholohanga - A cultura do empreendedorismo começa, pouco a pouco, a sobressair nos angolanos, cientes de que é o principal factor promotor do desenvolvimento económico e social de um país.

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Huambo: Avicultor José Gervásio Ventania

Foto: Júlio Vilinga

(Por Gabriel Ulombe)

Em contrapartida, o que poucos não imaginam é ver funcionários públicos enveredarem por tal prática, assente essencialmente na identificação de oportunidades, agarrá-las e buscar os recursos necessários para transformá-las num negócio lucrativo.

É o que está a fazer o cidadão José Ventania, de 48 anos, residente no município da Chicala-Cholohanga, 42 quilómetros da província do Huambo, onde impulsiona, desde 2012, o crescimento de um aviário para a criação de galinhas para o abate, tendo evoluído para a produção de ovos.

Apesar de contar somente com o salário para empreender o negócio, o “homem dos ovos”, como já é conhecido por onde distribui a produção do seu aviário, tem tudo para se tornar num empreendedor de sucesso, fazendo fé às suas próprias palavras à Angop.

“Eu não desisto facilmente dos meus sonhos, além de ser criativo e ousado no que faço. Nas condições em que desenvolvo a minha actividade, sem financiamento, não é fácil, mas encoraja-me saber que estou a contribuir para a política de diversificação da economia nacional e para a redução das importações”, revelou.

O funcionário público, que conta com 3.500 galinhas poedeiras, 500 das quais já adultas, afirmou que o país precisa de mais empreendedores, sobretudo no sector agro-pecuário, aproveitando as potencialidades naturais.
Ventania apela aos bancos comerciais para serem menos burocráticos na concessão de financiamentos aos empreendedores, facto que o leva a lamentar.

Impulsionado pela atitude, deu corpo a um projecto que não era seu. Filho de pais que faziam do cultivo da terra o seu ganha-pão, o avicultor não tem receio de assumir que a ideia de criar o aviário não é sua, mas reconhece ter sido uma atitude perseverante que permitiu dar avanço ao projecto, o terceiro do género no Huambo.

“Ainda me lembro de quando num sábado, em 2012, me vieram contactar os primos Agostinho Sangueve e Alfredo Katchivoli, que me apresentaram o projecto de criação de um aviário”, recorda.

Depois da conversa com os primos, provenientes do município da Quibala, na província do Cuanza Sul, onde a criação de aviários é comum entre os agricultores, a Ventania foi incumbida a responsabilidade de arranjar um terreno para o efeito.

Sem ter a noção de criação de aves, deslocou-se, na companhia dos primos, à aldeia Talulua, no município da Chicala-Cholohanga, onde conseguiram o terreno.

O passo seguinte, afirmou, seria deslocar-se ao município da Cela (Cuanza Sul), para, com a ajuda de proprietários de aviários, estarem mais por dentro do ofício de criar galinhas. Em contrapartida, a viagem não aconteceu, pois Ventania e Alfredo Katchivoli se decidiram a ir buscar experiência num aviário a 35 quilómetros da cidade do Huambo.

“Foi a partir daí que nos decidimos, definitivamente, a colocar em prática o nosso projecto. Rapidamente, efectuámos o estudo de viabilidade e concluímos que o melhor seria implementar o aviário em Sakaleso, terreno que eu havia comprado em 2008, ao invés de Talulua, por questões de localização e facilidade de escoamento”, revelou.

O empreendedor explicou que, quando tudo parecia estar a correr em sintonia, os seus primos desistiram do projecto, sem justificação, depois de se ter deslocado à província de Luanda para a aquisição de equipamentos.

Apesar das dificuldades no começo, nunca pensou em desistir

O risco está sempre, ou quase sempre, presente na actividade empreendedora e exige, por si só, ousadia, criatividade e tenacidade para o contornar. É, exactamente, o que aconteceu com Ventania, que considera o início da sua carreira “verdadeira loucura”.

Sem experiência, abandonado pelos idealizadores do projecto e, para piorar, com pouco dinheiro, teve de sacrificar a família, privando-a de algum bem-estar, para alimentar o sonho de vir a ser um avicultor.

Em 2012, conta, comprou os primeiros três mil pintos de galinha para o abate, muitos dos quais acabaram por falecer, em virtude de não terem o merecido cuidado nas primeiras semanas de vida.

Sem dinheiro para contratar veterinário, o avicultor, que passava as noites no aviário, teve de se desenrascar, com o auxílio de técnicos pecuaristas e criadores de aviários, para aprender os cuidados primários e evitar, desta feita, as mortes em série dos pintos.

Esta má fase rapidamente foi ultrapassada e, com o tempo, através do abate das galinhas e da consequente venda dos frangos, o empreendedor começou por ver os lucros da actividade.

“No começo, foi muito difícil. Quase pensei em desistir, mas tinha fé de que as coisas melhorariam a qualquer instante. As vendas dos frangos permitiram-me construir outra nave maior e apostar no aviário para ovos, deixando, para trás, as galinhas de abate”, referiu.

Quinze mil dólares investidos no início

Questionado sobre o capital inicial investido, Ventania, ex-militar que em 1990 foi desmobilizado ao abrigo dos Acordos de Bicesse, respondeu que nem sempre teve coragem para revelar o montante.

“Sempre disse aos meus filhos que não tinha dinheiro e, se soubessem que investi 15 mil dólares no aviário, poderiam ter ficado tristes. Quando comecei, optei por alguma discrição aos meus familiares, pois era uma iniciativa arriscada”, conta.

Passados cinco anos, assume que a criação de aviário, seja para abate ou produção de ovos, é um negócio rentável, mas muito exigente.

A partir de Agosto deste ano, o antigo militar pretende passar de 350 ovos por dia para três mil. Este incremento resulta da aquisição, no começo deste ano, de 2.700 galinhas poedeiras que se juntaram às 500 já existentes.

Também a partir de Agosto, o avicultor passará a contar com três naves e cerca de quatro mil galinhas, facto que vai permitir alargar a venda de ovos para as vizinhas províncias do Bié e Cuando Cubango, onde, por enquanto, o produto chega por encomenda.

Pequeno produtor sem medo da concorrência dos grandes

A poucos quilómetros do aviário de Ventania, está outro que produz, em média diária, 25 mil ovos e, também, com previsões de aumento.

Apesar disso, o pequeno produtor não se intimida pela concorrência, antes pelo contrário vê nela uma oportunidade para progredir e, em virtude disso, afirmou que o mercado de consumidores é selectivo e amplo.

“A concorrência é boa para qualquer actividade. No caso da produção de ovos, não é a quantidade que determina, mas, sim, a qualidade e a fidelização dos clientes”, argumenta.

Apesar do pouco tempo que tem para fazer chegar os ovos aos clientes, o empreendedor revela que fornece em 10 estabelecimentos mercantis, sendo oito na província do Huambo e dois no Bié.

Diz estar satisfeito, mas quer mais. “A meta é alcançar o mercado do Cuando Cubango e mais lojas nas províncias em que já fornecemos”, revela.

Quanto às dificuldades na aquisição de racções, o avicultor informou que, brevemente, vai construir uma micro-indústria que vai produzir, igualmente, para outros pequenos criadores de galinhas poedeiras naquela região.

Finalista do curso de Ensino da Matemática pelo Instituto Superior de Ciências da Educação do Huambo, José Ventania tenciona, no futuro, criar uma cooperativa dos pequenos produtores de ovos na mesma região (Huambo), para facilitar o escoamento e partilhar as melhores técnicas de produção e tratamento veterinário.

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