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31 Maio de 2017 | 17h29 - Actualizado em 30 Maio de 2017 | 12h09

Tímidos sinais do relançamento dos têxteis

Luanda - Numa altura em que a palavra de ordem é o alargamento da base de arrecadação de divisas, a indústria têxtil nacional perfila-se como um dos pilares da diversificação económica.

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Por Quinito Bumba (Luanda), Nelson Costa (Malanje) e Moisés Francisco (Cuanza Norte)

O Governo angolano apostou, primeiro, na recuperação das unidades fabris existentes, para, depois, cuidar da outra parte da questão, que é a garantia da matéria-prima que as ponha a funcionar. É uma opção que, acertada ou errada, só o tempo o dirá.

Os outros caminhos poderiam passar pela criação de condições de produção do algodão no país e só depois se avançar pela reabilitação das fábricas, ou, como terceira via, se atacar o processo em simultâneo.

Mas, o Governo preferiu a primeira via, com um milionário investimento de 1,2 mil milhões de dólares na recuperação e modernização das fábricas África Têxtil (agora Alassola, em Benguela), Textang II (Luanda) e Satec (Dondo, Cuanza Norte).

Embora os três projectos não tenham a dimensão suficiente para alterar substancialmente a previsão de crescimento económico, o investimento aplicado representa passo notável no processo de diversificação da economia nacional, em função do efeito multiplicador destes investimentos no ressurgimento de indústrias auxiliares.

Além de permitir ao país satisfazer as suas necessidades internas, em termos de vestuários e confecções, a recuperação destas três unidades vai colocar Angola no mercado global das confecções e dos vestuários, induzindo, deste modo, o desenvolvimento de toda a cadeia de valor do sector, que proporcionará a criação de milhares de postos de trabalho. 

O processo de reabilitação e modernização das três principais unidades têxteis do país, iniciado em 2012, com a aprovação do projecto pelo Governo angolano, conheceu o seu apogeu em Dezembro de 2016, com a entrada em funcionamento, em regime experimental, da Alassola (antiga África Têxtil, em Benguela), vocacionada para a produção de tecidos para o lar.

Depois da Alassola, a próxima a entrar em funcionamento, já em Junho próximo, é a Satec, situada na vila do Dondo, província do Cuanza Norte, com a garantia de mil e 600 novos postos de trabalho, segundo Alexandre da Silva Neto, director interino da unidade fabril.

Na cadeia de valor, cada uma das três unidades vai concentrar-se num segmento, para evitar a concorrência entre elas.  A Textang II vai produzir tecidos para abastecer, essencialmente, a Casa Militar, hospitais e escolas.

A Satec tratará de tecido para a confecção de camisolas e calças de ganga, enquanto a Alassola produzirá para lençóis, toalhas e cobertores.

A reabilitação integral das fábricas contou com o impulso nipónico, através de uma linha de financiamento do Banco de Cooperação Internacional do Japão, intermediada pelo Governo angolano.

As fábricas dispõem de tecnologia de última geração, importada de países asiáticos, com destaque para a Coreia do Sul, China e Japão, actualmente detentores da maior quota do mercado dos têxteis no mundo.

Do financiamento do Banco de Cooperação Internacional do Japão, quatrocentos e dez (410) milhões de dólares foram investidos na Satec, 235 milhões na Textang II e 480 milhões na Alassola.

Nesta primeira fase de arranque das unidades fabris, a matéria-prima é o grande constrangimento, pois 100 porcento do algodão será ainda importado. Só a Satec vai precisar,  anualmente, de seis mil e 300 toneladas deste produto.

Para já, foi importado da Índia e da Grécia o suficiente para garantir o funcionamento do primeiro ano de actividade. A expectativa é que, a curto prazo, o país comece por produzir algodão para alimentar a indústria.

A diversificação da economia, através do sector têxtil, com a reabilitação das três principais unidades do país, sempre figurou da agenda política do Governo que tem dado especial atenção a este processo.

Por esta razão, a 23 de Março último, a 6.ª Reunião Ordinária Conjunta das Comissões Económica e para Economia Real do Conselho de Ministros procedeu, através de uma resolução, à análise do estudo de viabilização da indústria têxtil, por intermédio da resolução da situação jurídica, técnica e financeira das suas unidades.

Além da recuperação das três maiores unidades fabris do país, o Governo também procurou fazer investimentos a montante, no segmento da produção das matérias-primas, ao impulsionar a plantação de algodão.

A previsão é de implantação de uma nova área de 74 mil hectares, no Cuanza Sul, outrora o “coração” da produção algodoeira, parcialmente financiada pela Coreia do Sul.

Com o programa de relançamento do cultivo do algodoeiro, em grande escala, o Ministério da Agricultura pretende uma produção anual de 100 mil toneladas de algodão, 40 porcento das quais de pequenos produtores e o restante de grandes plantações.

Para a safra 2016/2017, com a colheita a começar no próximo mês de Julho, a mesma instituição prevê colher mais 242 toneladas de algodão nas províncias de Malanje e Cuanza Sul, quantidade residual e muito aquém das necessidades das três unidades têxteis, calculadas em 24 mil toneladas/ano.

Para cobrir o défice do fornecimento do mercado interno, as três unidades fabris estão a fazer recurso ao mercado externo, numa altura em que Angola tem problemas de divisa, factor que pode encarecer a produção dos têxteis e de os tornar menos competitivos em relação ao vestuário importado.

Em virtude desta situação, surgiu o programa de produção do algodão do Ministério da Agricultura, cujo coordenador é Carlos Canza.

O responsável revela à Angop que o processo envolve uma cooperativa em Malanje, uma associação de camponeses no Cuanza Sul e a “África Sementes”, empresa que explora vastas terras na última província, para a produção de algodão caroço.

Dadas as necessidades do mercado, para a campanha agrícola 2017/2018, o programa de cultivo de algodão prevê alargar a área de produção de 242 hectares para mil e 500, para uma colheita de mil e 500 toneladas, numa média de uma tonelada/hectare.

“Na próxima campanha agrícola 2017/2018, orçada em cerca de 530 milhões de Kwanzas, o sector da Agricultura prevê cultivar, nas províncias de Malanje e do Cuanza Sul, 1.500 toneladas de algodão, numa área de 1.500 hectares”, anuncia.

Carlos Canza acrescenta que, para a concretização deste projecto, foram adquiridas 30 toneladas de sementes, que serão lançadas a terra a partir de Fevereiro de 2018.

Para a progressão gradual do programa de relançamento do algodão no país, o sector prevê, igualmente, cultivar 10 mil hectares de terras com o sistema de rega gota-a-gota, no Pólo Agro-industrial de Capanda (Malanje), a ser implementado, nos próximos tempos, por uma empresa japonesa.

Este projecto perspectiva colher 50 mil toneladas de algodão caroço por cada período agrícola, numa estimativa de rendimento de cinco por hectare, que vão ajudar a responder à demanda do sector industrial.

A nível do sector privado, o também engenheiro agrónomo destacou a empresa "África Sementes", que tem contribuído, desde 2010, com uma média anual de duas mil toneladas de algodão, que anteriormente eram exportadas quando as indústrias têxteis no país estavam inoperantes.

Ficheiros

Área de Malharia da Fábrica Satec

Assuntos Economia  

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