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05 Dezembro de 2017 | 02h00 - Actualizado em 05 Dezembro de 2017 | 08h13

Novo mercado do peixe só abre em Janeiro

Luanda - A entrada definitiva das vendedoras e o começo efectivo do comércio nas novas instalações do Mercado do Peixe "Avó Mabunda", inaugurado oficialmente a 23 de Novembro último, acontece apenas a 8 de Janeiro de 2018, por questões administrativas.

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Mercado do Peixe da Mabunda

Foto: Gaspar dos Santos

As vendedoras abandonaram o novo mercado horas depois de ter sido inaugurado, pela ministra das Pescas e do Mar, Victória de Barros, por alegada falta de capacidade para albergar as mais de mil comerciantes que vendiam em várias áreas.

Outro motivo que levou à suspensão repentina do negócio foi o estreitamento da zona de atracagem e descarga para atender uma dezena de chatas pesqueiras que diariamente atracavam naquele ponto, um dos mais procurados para compra de peixe em Luanda.

Segundo a representante das quitandeiras, Avó Mabunda, no acto de inauguração do mercado fez-se um pedido à ministra das Pesca e do Mar, no sentido de alargar-se a zona de atracagem e descarga. 

A ideia é permitir a entrada de mais embarcações, ampliar o espaço de vendas e facilitar a entrada das demais colegas nas novas instalações, a 8 de Janeiro de 2018.

Com essa solicitação, pretende-se também facilitar a transferência das vendedoras de produtos alimentícios, roupas, detergentes, calçados, utensílios domésticos, plásticos, comidas e bebidas do Mercado do Peixe para o Mercado do Morro Bento.

Avó Mabunda informa que o funcionamento pleno do novo mercado, a 8 de Janeiro, dependerá do atendimento das reivindicações feitas à administração do espaço às autoridades do sector das pescas.

Ainda assim, pede a colaboração de todas as vendedeiras e emprenho na preservação do espaço.

"Depois de todo este processo concluído, a fiscalização e a Polícia Nacional poderão fazer o trabalho, sensibilizando e penalizando todo o pessoal que se opor à ordem de abandonar o recinto", adverte.

As vendedoras reconhecem melhorias no espaço, em termos de saneamento, organização e conservação do pescado, mas, ainda assim, solidarizam-se com as demais colegas não beneficiadas na primeira fase. 

Marcelina Alberto António, vendedora há 20 anos, diz que apoia a decisão das demais e os procedimentos que estão a ser adoptados por Avó Mabunda e pelas autoridades afins.

Mostra-se preocupada por desconhecer a proposta da nova tarifa a ser paga pela ocupação do espaço. Actualmente, as vendedeiras pagam 500 kwanzas.

Maria Dias Morais, da área do peixe, não foi contemplada para ocupar uma bancada no interior do novo mercado, por atraso na entrega de documentação exigida. Ela, tal como a colega Eva António João, discorda da ideia de começar as vendas do pescado, na nova estrutura, apenas com parte das antigas vendedoras.  

“Não concordamos.  Neste mercado há pessoas que sustentam as suas famílias e muitas foram deixadas de fora por falta de espaço no novo mercado” reivindica Eva António.

Pescadores intranquilos

Além das vendedeiras de peixe, um outro grupo reclama de “segregação” no programa de melhoria do mercado. São os pescadores que dizem desconhecer como será a sua actividade, uma vez que o novo mercado será gerido por uma empresa já indicada.

Em representação dos demais, Círio Manuel, pescador de choco, lamenta o facto de a situação dos pescadores quase não ser falada e nunca ter havido concertação com o grupo, tanto pela administração local, quanto pela gestão do mercado.

As tarifas cobradas de momento no antigo mercado variam de 150 a 500 kwanzas diários, dependendo do serviço realizado.

Já para o novo,  obedecerá a uma tabela uniformizada de preços, regulada pelo Governo da Província de Luanda, que será adoptada para todos os mercados de  Luanda.

Segundo a administradora do Distrito Urbano da Samba, Mariana António, todo o valor arrecadado no mercado é depositado na Conta Única do Tesouro.

Quanto à aludida incapacidade do Mercado do Peixe, a gestora diz que o mesmo foi construído com base no cadastramento realizado no início da primeira fase.

O número de barracas verificadas no mercado, explica, foi determinado tendo sempre em conta a separação da venda de produtos pesqueiros e hortaliças dos demais, devido à contaminação que estes estão sujeitos.

Sobre o número elevado de mulheres que se tem apresentado depois da conclusão do espaço, esclarece que se deve à proveniência de vendedores de outros lugares de Luanda que também exercem a actividade na Mabunda, depois do levantamento ser feito.

Para melhorar o processo de transferência, diz que tudo foi acautelado ao pormenor, desde a deslocação das quitandeiras para os locais indicados no Morro Bento, até ao programa de saneamento e conservação do espaço.

A respeito das melhorias criadas, a directora nacional de Infra-estrutura e Indústria Pesqueira do Ministério das Pescas e do Mar, Maria Filomena da Mata, informou, no acto da inauguração do mercado, que há condições para a segurança alimentar.

Para tal, disse, foi instalado um sistema para a recolha e tratamento de resíduos de pescado e um sistema de controlo anti-bactéria para evitar a contaminação do pescado.

O novo mercado pesqueiro é composto por duas naves para a venda a retalho de peixe fresco, seco e hortícolas. Tem compartimentos para a arrecadação de artefactos de pescas de apoio aos pescadores, dois contentores frigoríficos para a conservação do pescado em frigoríficos, equipamentos para o tratamento das águas residuais e a água para o uso doméstico e para fazer gelo, entre outras condições.

Apesar da insatisfação das vendedoras, os clientes congratulam-se com a construção da nova estrutura e esperam por um comércio de peixe mais saudável.

Ana de Carvalho e Isabel da Rosa, clientes do Mercado da Mabunda, dizem que há muito esperavam por melhores condições de saneamento do local.

Três décadas de comércio

O mercado em causa existe há quase 30 anos e passou por duas fases de ampliação e  melhoramento, no âmbito do programa municipal de combate à fome e à pobreza. 

A primeira iniciou-se em 2013 e abarcou a inclusão de duas cozinhas comunitárias e uma nave, com capacidade de albergar 237 “quitandeiras” (vendedeiras).

Por falta de capacidade, as autoridades locais, em parceria com o Ministério das Pescas e do Mar, deram início à ampliação da segunda nave, levando ao aumento do número de bancadas em betão para 410, que culminou com a inauguração no Dia das Pescas.

Os dois processos de selecção das vendedoras baseou-se num cadastramento realizado durante a gestão do então administrador António Malungo, trabalho que teve a continuidade na vigência do seu substituto Alves Sardinha.

Culminou com a actual administradora Mariana Francisco, que diz desconhecer qualquer tipo de acordo entre as entidades da pesca e as vendedoras.    

Durante esse período, os clientes e as vendedores sempre conviveram no recinto comercial, localizado no distrito urbano da Samba, em Luanda, mas vários aspectos comprometiam a qualidade do peixe vendido: falta de saneamento básico, exposição de produtos em barracas de madeiras fixados em areia, no chão e em sacos de serapilheira.

Alguns produtos eram expostos debaixo de sombrinha para proteger do sol, junto a moscas e ao lixo acumulado de vísceras, papelões e restos de comida. Muitas vezes, as vendas eram feitas junto às águas paradas, ensanguentadas ou cheias de escamas.

Os passeios geralmente encontram-se apinhados de excrementos humanos feitos durante a noite, pelos moradores dos arredores, facilitando a transmissão de doenças.

Neste cenário juntava-se a poeira proveniente da entrada principal do recinto, levantada pelo movimento constante dos carros que entram e das corridas dos rapazes que se predispõem ajudar na limpeza do pescado. 

Assuntos Comércio precário   Pesca  

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