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12 Fevereiro de 2018 | 21h42 - Actualizado em 12 Fevereiro de 2018 | 21h42

Angola: Subida dos preços dos produtos importados é inevitável - Economista

Luanda - A subida dos preços dos bens alimentares e serviços importados no mercado nacional é inevitável, afirmou nesta segunda-feira, em Luanda, o economista Gaspar Júnior.

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Mercado informal na Estalagem, em Luanda

Foto: Gaspar dos Santos

O especialista justificou a sua afirmação com a depreciação do Kwanza e o encarecimento das divisas, utilizadas para importação de produtos no país, 

Em declarações à Angop, a propósito do OGE/2018, o perito em mercado de divisas referiu que a subida dos bens importados se justifica pelo facto de o país depender muito da importação de quase tudo.

Segundo o economista, o encarecimento das divisas que servem para aquisição de produtos e serviços no exterior obriga os importadores a aumentarem os preços dos produtos, para conseguir recuperar o capital investido e retirar o lucro.

Do ponto de vista técnico, explicou, justifica-se a subida dos preços dos produtos e serviços importados no país, tendo em conta o encarecimento das divisas.

Já do ponto de vista social, segundo disse, este cenário constitui um “descalabro” para os consumidores, porque a maior parte da população não consegue satisfazer as suas necessidades elementares, perdendo cada vez mais o poder de compra.

Esta situação, prosseguiu, está a criar imperfeições do mercado, onde as informações são assimétricas e consequentemente os agentes económicos estão a jogar com as expectativas especulativas, em vez das expectativas racionais.

Diante deste cenário, motivado pela depreciação do Kwanza, resultado do câmbio flutuante, o também docente da faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto, há mais de 20 anos, apela aos agentes económicos a fazerem um sacrifício nas despesas, reduzindo os gastos supérfluos.

Este sacrifício deve ser abrangente e inclusivo ao aparelho do Estado, efectivando as medidas fiscais para reactivar a economia nacional.

Neste particular, o Governo joga um papel fundamental ao direccionar as despesas públicas em actividades produtivas e sectores que vão gerar riqueza para o país.

Segundo Gaspar Júnior, o sacrifício das famílias e do Estado só poderá ser superado no longo prazo, com a efectivação do programa de apoio à produção local, gizado pelo Executivo, e a criação de indústrias transformadoras para apoiar o sector produtivo.

"É necessário que o Governo crie incentivos sustentáveis para atrair grandes indústrias do sector agrícola no país, visando a melhoria da produção local e desafogar a demanda de insumos para a produção interna", concluiu.

Voz do consumidor

Apesar dos esforços do Governo, na fiscalização de preços dos bens, a realidade demonstra que a partir do momento em que o BNA anunciou a utilização da taxa de câmbio flutuante, em Janeiro último, que tem sido caracterizada pelos sucessivos leilões semanais, os preços dos principais produtos da cesta básica e serviços tendem a subir de forma considerável, no mercado nacional, facto que preocupa os agentes económicos, tendo em conta a depreciação do Kwanza e a perda do poder de compra dos consumidores.

Para André Alexandre, um dos clientes do mercado retalhista, ouvido pela Angop, a subida dos preços dos produtos nos armazéns constitui uma surpresa para ele, porque, até Dezembro último, registava-se uma tendência de descida dos preços, mas, de repente, começou o encarecimento dos bens sem nenhuma justificação nem aviso.

Segundo o cliente, por exemplo, o saco de arroz de 25 quilogramas, que até Dezembro custava quatro mil e 200 kwanzas, actualmente está a ser comercializado AKZ 5.300, a caixa de coxas de frango, que custava 3.600, passou AKZ 5.400.

De acordo com Madalena Mata, uma cliente que também faz compras nos armazéns retalhistas, a subida dos preços dos produtos está a surpreender todos clientes, porque até na época da quadra festiva o custo dos bens estava acessível que actualmente.

A cliente que comprava 25 litros de óleo vegetal por 4.000 kwanzas, actualmente compra a mesma quantidade a AKZ 5.100, o saco de fuba de milho custava 3.500, contra os actuais AKZ 3.800.

O saco de feijão de 50 kg que custava 6.000 subiu para 10.000 kwanzas.

Com este cenário, os consumidores são obrigados a reduzir as quantidades de bens e voltarem ao sistema de "sócia", ou seja, em vez de cada cliente comprar, por exemplo, um saco de arroz de 25 KG, junta-se o dinheiro de duas ou três pessoas para adquirir o mesmo produto e repartirem na mesma proporção os quilogramas. O mesmo procedimento ocorre com outros produtos.

Numa ronda, efectuada hoje pela Angop, em algumas superfícies comerciais de Luanda, constatou-se uma disparidade de preços nos produtos da cesta básica, registando a falta de unificação dos preços aos produtos vigiados.

A Angop tentou ouvir alguns fornecedores e retalhistas dos respectivos estabelecimentos comerciais, mas não foi possível, alegando a falta de autorização para falar sobre o assunto.

Objectivos do câmbio flutuante

A protecção das reservas líquidas do país no exterior e a estabilização macroeconómica, constam dos principais objectivos da taxa de câmbio flutuante.

De acordo com BNA, o regime de câmbio flutuante está em vigor no quadro das medidas de carácter monetários e cambiais do Banco Nacional de Angola.

Em causa está o Programa de Estabilização Macroeconómica do Executivo para 2018, um instrumento de gestão que visa restaurar a estabilidade e sustentabilidade da economia angolana.

Desde que começou a vigorar o actual regime cambial, o BNA já realizou sete leilões de compra e venda de moeda estrangeira, sendo que o primeiro foi realizado a 09 de Janeiro e o último no dia 07 deste mês.

No primeiro leilão, o Kwanza teve uma desvalorização de 25 porcento, crescendo para 28 porcento até ao último leilão.

Actualmente, a taxa de câmbio média ponderada é de AKZ 258,038 por cada Euro, enquanto o Dólar, que até nove de Janeiro era a moeda de referência, está fixado em 207,693 kwanzas.

As vendas de divisas destinam-se à aquisição de matéria-prima, peças, acessórios e equipamento fabril, seguros, telecomunicações, transportes e outros serviços.

Para bens alimentares, medicamentos e operações privadas, o BNA mantém o mecanismo de vendas directas, via bancos comerciais.

Assuntos Divisas   Economia  

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