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30 Agosto de 2019 | 19h36 - Actualizado em 30 Agosto de 2019 | 19h36

Japão mobiliza sector privado para investir em Angola

Yokohama (dos enviados especiais) - As autoridades japonesas garantiram mobilizar o seu sector privado para investir forte em vários segmentos da actividade económica em Angola, revelou nesta sexta-feira o ministro angolano das Relações Exteriores, Manuel Augusto.

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Japão: Vista parcial da Cidade de Yokohama

Foto: Gildo Komanzala

Ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto (arq)

Foto: António Escrivão

Manuel Augusto referiu que essa garantia ficou expressa no encontro entre o Presidente João Lourenço e o primeiro-ministro japonês, Shinzu Abe, realizado à margem dos trabalhos da sétima edição da Conferência Internacional de Tóquio Para o Desenvolvimento de África (TICAD7), que terminou nesta sexta-feira.

Ao falar à imprensa angolana no final dos trabalhos da TICAD7, o ministro disse constituir boa notícia o gesto do governo japonês em mobilizar o seu empresariado para investir em Angola, pois o país está à procura de investimento estrangeiro directo, sobretudo em áreas como a agricultura, por ser a base da nossa auto-suficiência e segurança alimentar.

Outro sector em que Angola quer a participação dos nipónicos é o das infra-estruturas, onde assume particular relevo a área da energia e águas, porque ela é a base para outros sectores como a indústria de transformação, que depende muito da energia fiável e regular.

O governante afirmou que os objectivos da participação de Angola na TICAD7, onde o Presidente João Lourenço esteve pela primeira vez, foram alcançados pois permitiu ao Chefe de Estado angolano contribuir para o debate e reflexões, bem como estabelecer vários contactos bilaterais, começando pelas autoridades do país anfitrião.

O Presidente João Lourenço teve a oportunidade de manter um encontro com o primeiro-ministro japonês, com quem analisou o estado da cooperação bilateral, considerada muito dinâmica e com perspectivas animadoras.

Por outro lado, a TICAD7 testemunhou uma evolução da abordagem que o Japão faz da sua cooperação com África, tendo em conta as dinâmicas globais e os desafios que devem conduzir os países para o alcance dos objectivos do desenvolvimento sustentável.

Disse haver agora uma abordagem mais realista e a constatação de que só será possível uma cooperação dinâmica, desde parcerias públicos-privadas e também da participação da população nos projectos de desenvolvimento.

As vantagens de África na parceria

O ministro acredita que a África deverá organizar-se para tirar a maior vantagem possível deste tipo de parceria.

No caso particular de Angola, disse que o país pode esperar muito do Japão, mas os nipónicos também têm grandes expectativas nesta mesma cooperação.

Essa cooperação assenta numa base de complementariedade, pois o Japão é um país muito avançado tecnologicamente, muito forte económica e financeiramente, faz parte das sete maiores economias mundiais e tem mais valias, que bem aproveitadas por Angola vão ajudar o país a realizar os seus projectos e a consecução do seu programa de desenvolvimento.     

Disse que o Japão tem necessidade de matérias-primas, algumas das quais Angola possui em abundância. Referiu que o Japão é um dos maiores consumidores de ferro do mundo e já tem tradição de beneficiar do ferro de Angola, nomeadamente nas minas de Cassinga (Huíla).

O Japão está muito interessado em continuar a cooperar com Angola, tendo hoje como um dos principais projectos dessa relação o Porto Mineiro de Saco Mar, no Namibe, o Desenvolvimento da Baía do Namibe e, sendo um dos maiores consumidores mundiais de peixe, continuar a contar com a riqueza piscatória de Angola.

Além destas esferas, há projectos que têm matriz angolana, como o cabo submarino que liga Angola ao Brasil, através da Angola Cables. A empresa NSI do Japão é o parceiro tecnológico, nesse projecto avaliado em 400 milhões de dólares.   

O Japão também participa em Angola, até a título de doação, em alguns projectos, nomeadamente na desminagem e electrificação, tendo manifestado interesse em participar de uma forma mais activa e visível no programa de desenvolvimento do país.

Quanto à diplomacia económica, disse que Angola quer garantir aos parceiros confiança no futuro, pelo que se deve transmitir seriedade, organizando as suas estruturas para o estabelecimento dessa parceria que o Governo defende.

Considerou, pois, a necessidade de se desburocratizar a administração pública, combater a corrupção, o nepotismo, dar segurança jurídica ao investimento estrangeiro e ser disciplinado para que se possa atingir as metas estabelecidas pelo Governo.

“Devemos criar condições para sermos um país normal e sendo um país normal, com o potencial que temos, naturalmente que os grandes grupos internacionais, as grandes cadeias vão querer estabelecer-se em Angola", referiu.

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