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14 Fevereiro de 2018 | 17h02 - Actualizado em 14 Fevereiro de 2018 | 17h02

Reconstrução do Iraque implica investimento arriscado, apontam especialistas

Cidade do Koweit - Após décadas de guerra, o Iraque quer começar um profundo processo de reconstrução do país, uma oportunidade atraente para empresas do mundo todo, mas que implica diversos riscos - apontam especialistas ouvidos pela AFP.

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Iraque: Reconstrução implica investimento arriscado

Foto: Google/Divulgação


    
Depois de proclamar, no ano passado, a vitória sobre o grupo extremista Estado Islâmico (EI), o Iraque quer reunir 88 bilhões de dólares para reconstruir o país, um projecto colossal que começou a ganhar forma nesta semana, numa conferência internacional de doadores celebrada no Koweit.

"O interesse dos investidores existe em gás, petróleo, energias renováveis, transportes, mas não basta", aponta o especialista libanês Mohamed Alem, cujo escritório de advocacia assessora empresas estrangeiras que querem investir no Iraque.

Mesmo assim, ele destaca os "esforços" do Iraque em matéria de governança económica, protevção de contratos e de investimentos.
               
Um sinal disso é o governo iraquiano ter multiplicado as suas promessas no Koweit, para que empresas estrangeiras possam criar filiais locais, com benefícios fiscais, ou de exonerações de direitos aduaneiros, tornando o país "business friendly".
        
"É uma imagem que querem dar de segurança. Mas é uma intenção, ou uma realidade? Será preciso esperar para ver as coisas mais claras", garante Carlo Cappello, director-geral da CC Consulting, empresa francesa especializada na construção de terminais de aeroportos.

O Iraque também comprometeu-se a respeitar as decisões internacionais em caso de disputas económicas e facilitar as transferências de fundos.
               
Ainda há muito trabalho pela frente, em particular no que diz respeito à luta contra a corrupção, um mal endêmico no Iraque. O país figura na lista dos dez mais corruptos do mundo elaborada pela ONG Transparência Internacional.

"Temos que lutar contra ela, mas não existe fórmula mágica. Precisaremos de tempo", admite o presidente da Comissão Nacional de Investimentos iraquiana, Sami Al-Araji.

Ele reconhece que existe "algum risco" no investimento no Iraque, mas afirma ser "calculado", pois se trata de um país rico em petróleo.

Outro grande obstáculo para investir no país é a falta de financiamento dos bancos iraquianos, abalados por anos de guerra e pela queda dos preços do petróleo.

"Trata-se de um grande problema. Os bancos iraquianos não estão desenvolvidos o bastante, não correspondem aos padrões internacionais", afirma o conselheiro financeiro Ahmad Al-Sader, do Bukhamseen Group Holding, do Koweit.

Para contornar esse problema, o governo propõe parcerias público-privadas às empresas.

Esse é o caso das empresas que vão construir, ou reconstruir, aeroportos no país. Elas vão se comprometer a explorar a concessão durante 20, ou 30, anos - um risco considerável, levando-se em conta que a evolução do tráfego aéreo no país é imprevisível.

"Terão que buscar parceiros privados corajosos o bastante para executar este tipo de obra. É prematuro", opina Cappello.
          
Assim como a CC Consulting, a imobiliária francesa Matière já investe no Iraque, onde constrói uma ponte no rio Eufrates, em Nassiriya (sul), mas precisa lutar contra os calotes.

"Por ora, estamos a espera, porque não há financiamento. Há listas de projectos, centenas de pontes a reconstruir, mas, se for para trabalhar e não sermos pagos, preferimos não trabalhar", resumiu o director de exportações da empresa, Shawki Djuni.
              

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