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11 Julho de 2019 | 09h30 - Actualizado em 11 Julho de 2019 | 09h30

Os líderes das Farc que abandonaram o acordo de paz na Colômbia

Bogotá - O caso de Jesús Santrich, ex-líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que teve pedido de prisão decretado ontem pela Corte Suprema de Justiça, é o mais notório entre os ex-guerrilheiros que decidiram dar as costas para o acordo de paz assinado com o país, noticiou a EFE.

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Apesar de cerca de 13 mil ex-integrantes das Farc terem aderido ao acordo após a assinatura do documento em Novembro de 2016, um grupo numeroso, de cerca de 1,5 mil guerrilheiros, montou uma dissidência que segue operando em várias partes da Colômbia.

Veja a lista dos líderes das Farc que desistiram do acordo de paz e os motivos que os levaram a isso:

1. Seuxis Paucias Hernández, conhecido como Jesús Santrich, membro do Estado-Maior das Farc e um dos chefes do Bloco Caribe, fez parte da equipe de negociação da guerrilha nos diálogos de paz com o governo da Colômbia.

No último dia 29 de Junho, Santrich despistou os seguranças que o acompanhavam em uma visita a um acampamento montado para reincorporar os ex-guerrilheiros à sociedade em Tierra Grata, no departamento de Cesar, no norte do país, e está foragido desde então.

Ontem, o ex-guerrilheiro não compareceu a uma audiência da Corte Suprema de Justiça, o que levou o tribunal a decretar sua prisão.

A disputa judicial começou em 9 de Abril de 2018, quando Santrich foi preso em Bogotá com base em um pedido de extradição dos Estados Unidos, que o acusa de ter conspirado para enviar 10 toneladas de cocaína ao país depois da assinatura do acordo de paz.

Em Maio, a Justiça Especial para a Paz (JEP), órgão criado após o pacto, concedeu a Santrich uma garantia de que ele não será extraditado, enviando o caso à Corte Suprema.

A JEP ainda ordenou que ele fosse mantido em liberdade após passar 416 dias preso, o que permitiu tomar posse como deputado da Força Alternativa Revolucionária do Comum, o partido criado pelos ex-guerrilheiros após o acordo.

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2. Luciano Marín Arango, conhecido como Iván Márquez. Número dois das Farc, ele liderou a equipe de negociação da guerrilha no acordo de paz e foi escolhido como pelo partido fundado posteriormente como um dos cinco senadores que a legenda teria direito no Congresso colombiano.

Em Abril de 2018, após a prisão de Santrich, Márquez anunciou que se juntaria a outros ex-guerrilheiros no acampamento de Miravalle, no departamento de Caquetá, no sul do país, alegando que o governo não dava garantias suficientes para sua reincorporação.

Desde então, seu paradeiro é desconhecido, apesar de o ex-guerrilheiro seguir enviando cartas nas quais crítica o governo por não cumprir o acordo de paz e as Farc por ter deixado as armas antes da implementação total dos termos acertados nas negociações.

Márquez não tomou posse como senador e teve o seu mandato cassado hoje pelo Conselho de Estado da Colômbia.

Por não atender às convocações do JEP, o órgão ordenou que Márquez seja formalmente questionado se deixou o país ou passou a integrar a guerrilha dissidente.

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3. Hernán Darío Velásquez, conhecido como "El Paisa". Foi o chefe da coluna Teófilo Forero das Farc, uma das mais sanguinárias da antiga guerrilha. Na fase final dos diálogos de paz, esteve em Cuba, que mediava as conversas, mas não atendeu a nenhuma das convocações da JEP.

Em agosto de 2018, El Paisa se estabeleceu no acampamento de Miravalle, onde foi fotografado ao lado de Iván Márquez. Meses depois, o ex-guerrilheiro também desapareceu, o que fez com que a Justiça decretasse mais uma vez sua prisão.

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4. Henry Castellanos Garzón, conhecido como "Romaña". Membro do Estado-Maior das Farc, além de comandante do Bloco Oriental e da Frente 53, foi um dos guerrilheiros mais temidos do país pelos sequestros em série da década de 1990 em estradas próximas a Bogotá.

Romaña esteve em Cuba durante os diálogos de paz, mas em Agosto de 2018 abriu mão da segurança que o governo da Colômbia fornecia para os ex-líderes da guerrilha.

Também por não responder às convocações da JEP, Romaña viu o tribunal abrir um "incidente de verificação de cumprimento do acordo" contra si no último dia 6 de Junho.

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5. José Manuel Sierra Sabogal, conhecido como "Zarco Aldinever". Considerado mão direita do "El Pais", antes da assinatura do acordo, se tornou um dos principais produtores e vendedores de cocaína do país.

Desde então, está foragido. Por isso, a JEP também abriu contra ele um "incidente de verificação do cumprimento do acordo".

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6. Elmer Caviedes, conhecido como "Albeiro Córdoba". Filho de Efraín Guzmán, um dos primeiros líderes das Farc, não integrava o alto escalão da guerrilha.

O governo afirma que ele se uniu aos dissidentes e atualmente comanda a produção de cocaína nos departamentos de Guainía, Vichada, Meta e Guaviare.

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7. Alberto Cruz Lobo, conhecido como "Enrique Marulanda". É um dos filhos do fundador das Farc, Pedro Antonio Marín, mais conhecido como "Manuel Marulanda Vélez".

Enrique não aparece publicamente desde Agosto de 2017, quando foi visto no departamento de Meta, no centro do país, onde teria se estabelecido após o acordo de paz.

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Outros integrantes das Farc que recusaram o esquema de segurança montado pelo governo são Nelson Enrique Díaz, Iván Merchán Gómez e Hedier Espinosa Feria.

Já Gentis Duarte, outro que virou as costas ao acordo, passou a liderar a Frente Primeiro, a principal dissidência das Farc, que opera em Guaviare, Guainía e Meta.

Edgar Soldado, conhecido como "Rodrigo Catete", foi outro que escapou de seus seguranças e decidiu montar uma dissidência no departamento de Caquetá. No entanto, o guerrilheiro foi morto junto com 13 de seus homens em uma operação militar em Fevereiro.

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