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21 Outubro de 2019 | 18h52 - Actualizado em 21 Outubro de 2019 | 18h52

Ex-presidente do Chile Bachelet pede diálogo entre Governo e sociedade civil

Genebra - A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, apelou nesta segunda-feira ao diálogo entre o Governo e a sociedade civil para ?acalmar a situação? no Chile, após vários dias de violência e distúrbios.

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Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile

Foto: AFP

Chile é palco desde sexta-feira de protestos, que degeneraram em violência, contra o aumento do preço dos transportes na capital, Santiago do Chile, e outros problemas sociais.

O balanço mais recente, nesta segunda-feira divulgado, dá conta que 11 pessoas morreram e várias dezenas ficaram feridas desde o início desta vaga de contestação social.

"Exorto o Governo a trabalhar com todos os sectores da sociedade para procurar soluções que contribuam para acalmar a situação e para tentar resolver as queixas da população no interesse da nação", afirmou Michelle Bachelet, que assumiu em duas ocasiões a Presidência do Chile (2006-2010 e 2014-2018).

Bachelet, que foi designada Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos no verão de 2018, também defendeu que todos os actos de violência registados nos últimos dias devem ser investigados.

"Estou profundamente perturbada e triste ao ver a violência, a destruição, as mortes e os ferimentos que ocorreram no Chile", disse Bachelet, frisando: "É essencial que todas as acções que provocaram ferimentos ou morte, tanto por parte das autoridades como dos manifestantes, sejam submetidas a investigações independentes, imparciais e transparentes".

As manifestações no Chile decorrem desde sexta-feira em protesto contra um aumento (entre 800 e 830 pesos, cerca de 1,04 euros) do preço dos bilhetes de metro em Santiago do Chile, que possui a rede mais longa (140 quilómetros) e mais moderna da América do Sul, e que transporta diariamente cerca de três milhões de passageiros.

O presidente chileno, Sebastián Piñera, decretou na sexta-feira o estado de emergência para 15 dias na capital, com sete milhões de habitantes, e no dia seguinte anunciou a suspensão do aumento do preço dos bilhetes de metro.

Mas, e apesar do recuo das autoridades, as manifestações e os confrontos prosseguiram também devido à degradação das condições sociais e às desigualdades neste país, onde as áreas da saúde e educação são quase totalmente controladas pelo sector privado.

Dezenas de supermercados, veículos e estações de serviço foram saqueados ou incendiados. Os autocarros e as estações de metro registaram importantes danos.

Em declarações divulgadas na madrugada desta segunda-feira pelas agências internacionais, o presidente Sebastian Piñera afirmou que o Chile está "em guerra com um inimigo poderoso".

"Estamos em guerra com um inimigo poderoso, implacável, que não respeita nada e nem ninguém e que está pronto a usar a violência e a delinquência sem qualquer limite", declarou o chefe de Estado chileno, que disse na mesma ocasião que "a democracia tem a obrigação de se defender".

Nas declarações divulgadas, a Alta Comissária da ONU alertou que "o uso de retórica inflamada servirá apenas para agravar ainda mais a situação, arriscando criar medo generalizado".

"As autoridades devem agir em estrita conformidade com os padrões internacionais de direitos humanos e qualquer aplicação do estado de emergência deve ser excepcional e ter como base a lei", concluiu Bachelet.
 
 

Assuntos Política  

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