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13 Março de 2019 | 12h35 - Actualizado em 13 Março de 2019 | 14h58

Eleições guineenses constituem marco para estabilidade - embaixador luso

Bissau (Dos enviados especiais) - O embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, António de Carvalho, elogiou, em Bissau, a ?forma exemplar e extraordinária? como decorreu o processo de votação das eleições legislativas guineenses, considerando um marco crucial para a boa governação e estabilidade política no país.

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Embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, António Alves de Carvalho

Foto: Nelson Malamba

Ao afluírem de forma massiva às urnas, disse o diplomata luso, os eleitores guineenses demonstraram grande sabedoria e maturidade democrática, factor que considera crucial para estabilidade da Guiné-Bissau, que nos últimos anos tem sido assolada por tensões políticas e institucionais.

A Guiné-Bissau, primeira ex-colónia a ver a sua independência reconhecida por Portugal, em Setembro de 1974, tem sido assolada por sucessivas crises políticas, as últimas das quais em 2015, quando o actual Presidente, José Mário Vaz, demitiu o líder do PAIGC, então primeiro-ministro.

Desde 2014 a 2015 houve nesse país a nomeação de sete primeiros-ministros.

Em entrevista exclusiva à Angop, nesta quarta-feira, em Bissau, António de Carvalho informou que o Governo Português vai continuar acompanhar de perto e apoiar a Guiné-Bissau neste novo ciclo de esperança na sua vida política.

De acordo com o diplomata luso, as eleições legislativas guineenses, realizadas domingo último, representam o início de uma nova fase de consolidação das instituições na Guiné-Bissau.

O embaixador português acredita mesmo na constituição de órgãos que estejam aptos para desenvolver e desempenhar o papel de governar e legislar de facto.

Para si, a afluência massiva às urnas nas eleições legislativas demonstra que o povo guineense quer um governo, um primeiro-ministro e uma Assembleia Popular rejuvenescida e pronta para corresponder o que o país de facto necessita: estabilidade política.

Disse não terem acesso às sondagens na Guiné-Bissau, “mas essas eleições legislativas apontam para uma extraordinária afluência às urnas e com índices bastante reduzidos de abstenção.

Fez saber, por outro lado, que as relações entre Portugal e a Guiné-Bissau, dois países membros da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), são extraordinárias, de Estado soberano a Estado soberano.

“Portugal integrou-se no contexto dos parceiros bilaterais amigos e próximos da Guiné-Bissau aguardando, naturalmente, por um sistema de funcionamento que permita reforçar os laços de amizade e aproximação que ligam profundamente os dois países”, expressou.

Lembrou que o seu país tem um plano estratégico de cooperação com a Guiné-Bissau, que se reparte em áreas como a saúde, agricultura, formação, qualificação e prepara-se para aprofundar os laços no âmbito da administração pública, justiça, polícia judiciária, cooperação técnica policial e militar.

Mas a relação de Portugal com a Guiné-Bissau vai para além disso, segundo a fonte, e insere-se também no âmbito da diplomacia económica, do investimento, da presença das empresas portuguesas na Guiné-Bissau e no âmbito da CPLP.

A Guiné-Bissau viveu ciclos de incerteza política, mas o embaixador português está convicto que esses ciclos de incerteza tendem a chegar ao fim e a cooperação bilateral vai aprofundar-se ainda mais.

Representante da CPLP na Guiné-Bissau é fundamental

Nos últimos anos tem se registado a ausência de um representante da CPLP na Guiné-Bissau, facto que preocupa o embaixador português nesse país.

 “É fundamental a presença de um representante da CPLP na Guiné-Bissau. Vamos avaliar e estudar, em conjunto, o formato dessa presença da CPLP na Guiné-Bissau, naturalmente com o beneplácito das autoridades do país”, observou.

De acordo com a fonte, é necessário encontrar um enquadramento adequado para a Guiné-Bissau, para um maior equilíbrio e talvez de correlação de forças na sub-região e no próprio P5.

O P5 é o formato da comunidade internacional presente da Guiné-Bissau, composto pela CEDEAO, União Africana (UA), União Europeia (EU), CPLP e Nações Unidas.

Para o diplomata luso, em termos de política diplomática, a CPLP deve renovar e reforçar a sua presença na Guiné-Bissau, “porque, no fundo, somos uma comunidade de valores, língua, aproximação, questões de género e de igualdade”.

Caminha-se agora para novos horizontes no âmbito da CPLP e a organização quer ver, nos próximos tempos, uma Guiné-Bissau mais desenvolvida, mais forte e com uma presença mais concreta e empenhada na CPLP, acrescentou.

Explicou que a Guiné-Bissau tem responsabilidade no âmbito da CPLP “e, por conseguinte, essas são as coordenadas com que nos movemos. A CPLP é o quadro de fundo onde nos devemos inserir, nomeadamente nas análises que serão feitas após conhecidos os resultados das eleições legislativas”.

No seguimento do convite formulado pelas autoridades da Guiné-Bissau, a Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) constitui uma Missão de Observação às Eleições Legislativas guineenses, ocorridas em 10 de Março.

A Missão de Observação Eleitoral da CPLP na Guiné-Bissau é chefiada pelo embaixador Luiz Pedro e integra 18 elementos, incluindo parlamentares da Assembleia Nacional de Cabo-Verde e da Assembleia da República de Portugal, em representação da Assembleia Parlamentar da CPLP, diplomatas indicados pelos Estados-membros, bem como funcionários do Secretariado Executivo da organização.

Presente na Guiné-Bissau desde 25 de Fevereiro e permanecendo até 14 de Março, a MOE da CPLP desdobrou-se em sete equipas, que cobriram as regiões de Bafatá, Cacheu, Biombo, Bissau, Gabu e Oio.

Na sua declaração preliminar, a Missão da CPLP constatou que as eleições legislativas “decorreram em consonância com as práticas internacionais de referência, no respeito pelos princípios democráticos e direitos políticos consagrados na Constituição e da lei eleitoral da Guiné-Bissau”.

Assuntos Eleições  

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