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12 Janeiro de 2018 | 00h48 - Actualizado em 12 Janeiro de 2018 | 00h50

Benguela regista cerca de quatro mil casos de malária por semana

Benguela - A província de Benguela está a registar, desde Dezembro de 2017, cerca de quatro mil casos positivos de malária semanais, contra 700 a mil casos por semana, que eram diagnosticados no período de tranquilidade da doença, anunciou hoje (quinta-feira) o director do gabinete provincial da Saúde, António Manuel Cabinda.

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Benguela: Doentes de malária (Arquivo)

Foto: Angop

O médico deu essa informação numa conferência de imprensa, que juntou administradores dos 10 municípios da província, autoridades religiosas, tradicionais, terapeutas e outros parceiros sociais, visando analisar a evolução da doença e criar estratégias de combate generalizado. 

Segundo António Cabinda, a província de Benguela é, essencialmente, endémica e nessa altura a situação do paludismo é elevada, tendo em conta os dados disponíveis e as difíceis condições de saneamento do meio, tanto nas zonas urbanas, suburbanas e mesmo nas comunidades da periferia ou interior da província. 

Segundo o responsável, os municípios do Balombo, do Bocoio, do Cubal, da Ganda e da Catumbela começaram a ter casos que preocupam, porém são os município do Cubal e da Ganda que registam uma tendência crescente. 

Sem discriminar por municipalidade, indicou que se registam, desde 2013, evoluções substanciais da doença, sendo que, neste ano, os números andavam à volta de 114 mil e 689 casos positivos, subindo para 158 mil e 789, em 2014, em 211 mil e 61 casos no ano seguinte.

Já em 2016, segundo o mesmo responsável, que detalhou o quadro ante a presença dos administradores municipais e seus representantes, os números evoluíram para 282 mil e 218 registos positivos, atingindo no ano passado (2017) os 361 mil e 668 casos de malária, até Novembro último.

O director referiu que, desses casos, resultaram 171 óbitos, no ano de 2013, em 2014, 278, e 478 mortes, em 2015, enquanto em 2016 e em 2017, os números mantiveram a linha ascendente, cotando-se em mil e 112 e mil e 351 óbitos, respectivamente.    

Para ilustrar a dimensão das necessidades do sector que dirige, informou que, se numa semana são diagnosticados quase quatro mil casos positivos, a julgar pelo número de casos negativos e outros exames associados complementares (Dengue, Chicungunha, Febre Amarela, entre outros testes que os serviços médicos possam necessitar), os serviços hospitalares das diversas unidades podem ver-se incapazes de responder, cabalmente, em termos de meios. 

Por essa razão, apelou aos administradores locais para apoiarem as unidades hospitalares situadas nas áreas de jurisdição, de modo a colmatar as necessidades básicas, em termos de meios gastáveis, nomeadamente reagentes e outros. 

Instou as autoridades tradicionais e religiosas a trabalharem mais com as comunidades e os religiosos, no sentido de observarem os cuidados preventivos, mormente o combate às águas paradas, nunca criar lavras junto às moradias, usar latrinas e mosquiteiros, bem como aceder, sempre, a uma unidade de Saúde, logo tenha os primeiros sintomas de febres, para evitar o diagnóstico tardio da doença. 

Por seu lado, a vice-governadora provincial para o sector Político, Social e Económico, Deolinda Valiangua, que orientou a sessão oficial de abertura, em nome do governador Rui Falcão, encorajou os participantes a trabalharem na mobilização colectiva para as acções preventivas. 

“Quem realmente se ama, deve cuidar-se, infelizmente os hábitos preventivos ainda não fazem costume no nosso dia-a-dia”, observou a governante, que advoga o desafio de se continuar a ensinar as famílias nas comunidades, sobre as medidas preventivas de saúde pública, pois "o país precisa de atingir as metas das Nações Unidas, neste domínio", vincou.  

No município da Ganda, os membros do Conselho da Auscultação e Concertação reflectiram, quarta-feira. sobre a actual situação epidemiológico da malária, suas causas e consequências da prevalência de casos e óbitos na região, num encontro de reflexão orientado pelo administrador local, Francisco Rodrigues Prata, tendo sido recomendado maior envolvimento da sociedade civil na promoção de acções que visam o reforço do sistema de vigilância epidemiológica, na busca activa de casos, testagem obrigatória, diagnóstico e tratamento.

No encontro, os membros foram informados sobre o plano de contenção da epidemia, baseado em cinco pilares fundamentais, que assentam na referência e contra referência de casos graves, das unidades sanitárias para o hospital municipal, com prioridade as áreas com maior foco da doença.

Os participantes advogaram o reforço da comunicação e mobilização social, com a participação da comunidade, nas áreas de controlo da epidemia, manuseio clínico adequado dos doentes, para reduzir a letalidade, luta anti-vectorial para eliminação do vector e larvas.

Segundo as autoridades sanitárias, o objectivo deste plano visa criar estratégia de modo a envolver todas as forças vivas do município, como factor do sucesso na redução da taxa de mortalidade, tendo em conta a mudança de comportamento e mobilização comunitária.

Segundo dados revelados no encontro, em 2017 o município registou 32 mil e 61 casos de malária, que resultaram em 131 óbitos, sendo 123 em crianças menores de 14 anos, contra os dois mil e 583 casos registados, em 2016, com apenas 32 óbitos.

Registou-se um aumento de casos de malária em crianças menores de 14 anos, com 22 mil e 398 casos, cuja baixa cobertura na mobilização da população sobre a prevenção e tratamento de doenças, o aumento de focos da chuva, da vegetação ao redor das residências, criadores permanentes e temporários, saneamento do meio, reprodução das larvas e presença do mosquito adulto, foram apontados como causas da proliferação da malária na região.

Para medidas de prevenção, o sector da Saúde desenvolveu diversas acções que consistiu em 57 sessões de fumigação, tratamento de charcos e 10 consultas móveis nas zonas afectadas.

O administrador da Ganda, Francisco Prata, apelou para maior envolvimento de toda sociedade, de modo estancar a doença e pediu aos sobas, séculos e entidades religiosos, para transmitirem a mensagem de prevenção junto das suas comunidades e fiéis, reconhecendo a dedicação e o desempenho do pessoal da Saúde nessa empreitada.

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