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31 Julho de 2019 | 16h49 - Actualizado em 01 Agosto de 2019 | 12h44

Hospital Esperança atende 10 crianças/dia vítimas de abuso sexual

Luanda - Sete a dez crianças vítimas de violência sexual são atendidas, diariamente, no Hospital Esperança, em Luanda, para fazer exames periódicos e profilaxia do VIH/Sida e de outras doenças de transmissão sexual.

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Hospital Esperança

Foto: Cortesia de Contreiras Pipas

Os dados foram avançados, nesta quarta-feira, pelo coordenador-geral da instituição, António Feijó, no final da visita dos secretários de Estado da Saúde e da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Manuel Vieira Dias e Ruth Mixinge, respectivamente.

Dados do Instituto Nacional de Luta Contra a Sida (INLS) indicam que o nível de contágio de VIH em Angola é estimado em 310 mil pessoas infectadas, das quais 190 mil são mulheres, muitas delas em estado de gestação.

No país, pelo menos 70 por cento dos infectados só se dirigem às unidades hospitalares quando estão com sinais e sintomas muito evidentes da doença, o que revela falta de cultura de fazer o teste com antecedência.

A taxa de abandono da medicação é de 54 por cento e o número de óbitos, em 2017, rondou os 13 mil, de acordo com os últimos dados da ONUSIDA.

Segundo o responsável, as crianças e adultas vítimas de abuso sexual são acompanhadas por técnicos treinados que prestam assistência psicológica e medicamentosa, umas levadas pelos oficiais do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e outras  pelos familiares.

Considerou preocupante o número de casos, pois acarreta uma carga psicológica que a criança ou adolescente pode levar ao longo da sua vida.

Preocupada com esta situação, a secretária de Estado da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Ruth Mixinge, disse que se deve criar uma rede entre os ministérios da Saúde, do Interior e as administrações municipais, para sensibilizar, cada vez mais, as famílias, bem como condições nas comunidades, a fim de se eliminar este mal.

“Assusta-nos o número elevado de crianças que sofrem violência sexual e que acorrem a esta instituição para ser atendidas e medicadas, situação que pode mudar com acções na família ”, ressaltou.

Salientou que se deve trabalhar também na sensibilização das famílias, para reduzir a discriminação e o estigma aos doentes com VIH/Sida, de modo a que estes não desistam da medicação.

E, para fazer face a esta situação, o Ministério da Família fez a entrega de bens alimentares ao Hospital Esperança, para colmatar a necessidade de pacientes vulneráveis que, muitas vezes, desistem do tratamento por falta de alimentação.

Foram cadastrados os beneficiários que passarão a receber uma prestação alimentar constituída por bens de primeira necessidade (arroz, óleo, açúcar, sabão e outros).

Ruth Mixinge referiu que esta prestação também já é feita para pacientes renais adstritos ao Hospital Américo Boavida, ao Hospital Sanatório e ao Josina Machel, fruto de um acordo entre os dois ministérios na área de assistência social.

O Hospital Esperança, inaugurado a 2 de Março de 2004, para além de fazer consultas e oferecer medicamentos aos pacientes, dá apoio psicológico e conselhos contínuos, bem como realiza visitas domiciliárias a pessoas com VIH/Sida, aos fins-de-semana.

Está vocacionado para o atendimento médico-medicamentoso, aconselhamento, capacitação de quadros de outras unidades que atendem a casos dessa pandemia e consultas de adesão que asseguram o sucesso da terapia e supervisão.

Para além do Hospital Esperança, o país conta com oito unidades para o atendimento dos pacientes, por ser uma componente urgente ou de emergência, para se dar a possibilidade de as vítimas de abuso sexual terem o tempo útil, que é de 72 horas, de serem atendidas profilaticamente e evitar que a transmissão seja fruto da violação e de outras infecções, inclusive das gravidezes indesejadas.

Assuntos Angola  

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