Angop - Agência de Notícias Angola PressAngop - Agência de Notícias Angola Press

Ir para página inicial
Luanda

Max:

Min:

Página Inicial » Notícias » Saúde

09 Janeiro de 2020 | 11h08 - Actualizado em 09 Janeiro de 2020 | 11h36

Venda de sangue deve ser denunciada

Luanda - A doação de sangue é um gesto de solidariedade e de humanismo de incalculável valor, pois trata-se de um acto que ajuda a salvar a vida de inúmeras pessoas confrontadas com a necessidade deste líquido vital.

Envia por email

Para compartilhar esta notícia por email, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Corrigir

Para reportar erros nos textos das matérias publicadas, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

1 / 1

André Soares, Secretário Provincial da Brigada Jovens Solidários

Foto: Fátima Pereiraa

Bolsas de sangue doado no Hospital Central do Huambo

Foto: Júlio Vilinga

(Por Maria de Fátima Pereira)

A nobreza do gesto reside no voluntarismo de quem o pratica, ou seja, sem condicionalismos/contrapartidas de espécie alguma, pois, pela lei angolana, o sangue humano não deve ser comercializado.

A propósito, o secretário provincial da Brigada Jovens Solidários (BJS) em Luanda, André Soares da Silva, deixa um veemente apelo à sociedade angolana: “a venda de sangue deve ser denunciada”.

Muita gente, sem saber, paga pelo sangue a determinados oportunistas sem ligação a esta e outras organizações dadoras.

Qualquer pessoa que necessitar de sangue deve ligar à BJS mobiliza os seus membros para prestarem ajuda. A única condicção é garantir a deslocação do dador ao hospital e vice-versa. 

Em entrevista exclusiva à ANGOP, Soares reconhece que o número de dadores voluntários em Angola ainda está abaixo da média necessária e que o serviço prestado continua a ser insatisfatório.

Na conversa, o interlocutor fala também das dificuldades e constrangimentos pelo que passam os dadores voluntários, bem como dos apoios de que tem beneficiado a sua organização.

Eis a íntegra da entrevista:

ANGOP – O que é, em termos práticos, a Brigada Jovens Solidários?

André Soares da Silva (ASS) – A Brigada Jovens Solidários é uma associação sem fins lucrativos, cujo objectivo é mobilizar os jovens, a nível nacional, para se tornarem dadores voluntários de sangue nos hospitais de todo o país e ajudar, com o seu gesto, a salvar vidas. É esta a missão da Brigada Jovens Solidários, que, diariamente, faz morada nas unidades sanitárias do país para ajudar quem necessita.

ANGOP - Que truques usam para conseguir convencer os jovens a tornarem-se dadores voluntários?

ASS – É um trabalho árduo. Procuramos sempre por pessoas disponíveis e integralmente interessadas em salvar vidas humanas. Quando promovemos campanhas de sensibilização ou mobilização, o foco tem sido as escolas, universidades, igrejas e instituições públicas e privadas.

A maior dificuldade é convencer as pessoas, porque muitos pensam que pagamos pelos serviços prestados. Temos de esclarecer que se trata de um serviço voluntário, um acto de solidariedade que tem como objectivo salvar vidas humanas. Outra grande dificuldade tem a ver com a falta de condições técnicas e logísticas.

Por exemplo, em Luanda, temos cinco mil 525 dadores voluntários e nem sempre temos saldo de telefone para ligar quando precisamos de um dador, não temos transporte, nem dinheiro para a sua deslocação até aonde for necessário. Muitos dos nossos dadores são estudantes e não trabalham, pelo que enfrentamos sérias dificuldades em termos de meios e formas para se deslocar aos hospitais para doar sangue.

A falta de alimentação e de um cartão de saúde também constituem constrangimentos para a BJS.

ANGOP – E como conseguem?

ASS - Felizmente, ainda conseguimos encontrar pessoas sensibilizadas com o bem-estar de outros. É complicado, mas com alguma “mestria” conseguimos sempre atingir algumas metas.

ANGOP - Recebem algum apoio para a execução das vossas tarefas?

ASS - Não o suficiente, mas temos, sim, recebido apoio do Ministério da Saúde, do Ministério do Ambiente, da Ango Real, dentre outros.

Nas nossas actividades contamos sempre com a presença da ministra da Saúde ou outra entidade do Ministério.

Já o Ministério do Ambiente potenciou a organização com computadores, e da Ango-Real recebemos uma viatura e também garante a deslocação para as demais províncias.

Com o Instituto Nacional de Sangue (INS), a hemoterapia mãe, que congrega várias unidades hospitalares, tem havido parceira. Como sabe, o objectivo é comum.

Tenho a certeza que, se tivéssemos mais apoios, aumentaríamos a captação de dadores voluntários.

ANGOP – Quantos dadores fazem parte da BJS em todo o país?

ASS – Temos sob controlo 20 mil e 729 dadores voluntários.

ANGOP – Como actuam para atender os pedidos que vos chegam?

ASS –
Procuramos, mesmo com algumas dificuldades, dar resposta a todos os pedidos. No entanto, devo esclarecer que as condições são definidas pelos hospitais, que têm de fazer uma série de testes para saber o estado serológico do dador. A nossa missão é levar o dador voluntário ao Instituto Nacional de Sangue ou ao hospital.

Veja que só em Luanda, diariamente, recebemos cerca de 15 solicitações de famílias.

ANGOP – Além da captação de dadores, desenvolvem outras actividades?

ASS – Sim, desenvolvemos actividades sócio-educativas destinadas a congregar a juventude de forma a mantê-la ocupada. Trata-se de feiras de saúde, campeonatos de futebol de salão, jogos de garrafinha, entre outros, para manter os nossos brigadistas mais coesos. Essas actividades extras, além de congregarem, ajudam a captar mais jovens para a causa.

ANGOP – É frequente ouvirem-se reclamações sobre a venda de sangue à porta dos hospitais. Que acções desenvolvem para combater esta má prática?

ASS – Apostamos, principalmente, em campanhas de sensibilização, passando informações de que a venda de sangue deve ser denunciada.

ANGOP – Que balanço faz da actividade da Brigada em 2019?

ASS – Só em Luanda, no primeiro semestre do ano transacto, conseguimos colectar e distribuir aos hospitais duas mil e 200 bolsas de sangue. Anualmente, são colectadas cerca de 30 mil bolsas de sangue a nível nacional. Uma pessoa adulta possui em média cinco litros de sangue e, numa doação, são colectados no máximo 450 ml. Ou seja, é menos de 10% de todo o seu sangue.

Uma única doação permite salvar até quatro vidas, uma vez que o material é separado em diferentes hemocomponentes, designadamente concentrado de hemácias (glóbulos vermelhos), concentrado de plaquetas, plasma e crioprecipitado, que podem ser utilizados em diversas situações clínicas.

ANGOP – Sobre o projecto Vermelho...

ASS – O projecto Vermelho, ou seja, o projecto “Luanda ou Angola Vermelho” consiste na promoção de uma campanha de recolha de mais de 50 bolsas numa província e, se for em todo país, conseguir 500 ou mais bolsas de sangue. Consideramos essa actividade como projecto “Vermelho” porque serve para arrecadar um número de bolsas fora do comum. Mas, infelizmente, só aconteceu uma vez; em 2015.

ANGOP - Os resultados alcançados pela organização satisfazem? Que novos planos têm?

ASS – Angola, com mais de 25 milhões de habitantes, tem um número de dadores voluntários abaixo da média necessária - na ordem dos 20 mil e 729 -, quando são necessários cerca de 300 mil dadores por ano. Não estamos satisfeitos, pelo facto de, por falta de meios, não conseguirmos alcançar os nossos objectivos em pleno, que é salvar vidas humanas por doação em menos de uma hora.

Mas vamos continuar a salvar vidas humanas doando sangue. É nossa pretensão ter um espaço nos Órgãos de Comunicação Social para divulgar a acção de doação de sangue.

Também pretendemos levar essa causa solidária a outros países de África (Namíbia e República Democrática do Congo) e da Europa (Portugal, Inglaterra e Alemanha). Inclusive, já temos alguns núcleos. Queremos expandir a nossa acção para que mais pessoas possam aderir a essa causa solidária.

Queremos também ter núcleos em instituições públicas (incluindo administrações municipais) e privadas, universidades, escolas, etc. Se houver núcleos nesses sítios, acredito que a falta de sangue nas unidades hospitalares será diminuta.

Temos como lema: “o sangue deve ficar à espera do paciente, e não o paciente à espera do sangue”, mas, para que isso aconteça, temos de ter mais dadores voluntários.

Perfil

André Soares da Silva, também tratado por “Andresoares”, nasceu no município do Cazenga, província de Luanda, a 17 de Agosto de 1983.

Finalista do curso superior de Serviço Social, é assistente social e funcionário da Administração Municipal do Cazenga, afecto à área da Juventude e Desportos.

Extrovertido, com esposa e cinco filhos, André Soares é actor de teatro, bailarino, gosta de leitura e desporto.

Além de si, na sua família há mais quatro dadores de sangue, nomeadamente dois irmãos e igual número de primos.

Assuntos Doação   Rede de Saúde  

Leia também
  • 14/12/2019 12:26:29

    Hospital municipal do Luacano em obras de ampliação

    Luacano - O hospital municipal do Luacano, situado a 217 quilómetros da cidade do Luena (Moxico), está a ser ampliado desde Setembro deste ano, para aumentar a sua capacidade de internamento, de 60 para 100 doentes.

  • 26/11/2019 18:28:42

    Direcção da saúde de Icolo e Bengo recebe meios

    Luanda - A direcção municipal da saúde de Icolo e Bengo, em Luanda, recebeu, este mês, meios diversos para o atendimento nas áreas de medicina e pediatria, informou hoje (terça-feira) directora de saúde pública, Maria Rosa.

  • 17/11/2019 19:31:32

    Hemoterapia provincial beneficia de sangue

    Uíge - Doze litros de sangue foram doados hoje, domingo, nesta cidade, à hemoterapia do hospital provincial do Uíge, com vista a minimizar a carência deste liquido na maior unidade hospitalar da província.