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15 Setembro de 2020 | 18h34 - Actualizado em 15 Setembro de 2020 | 23h26

Covid: Sobrepeso põe milhares na zona de risco

Luanda - A Covid-19 continua a influenciar, negativamente, o estilo de vida de milhares de cidadãos de grupos de risco em Angola, particularmente os obesos.

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Obesidade representa risco à saúde

Foto: Divulgação

(Por Eurídice Vaz da Conceição, jornalista da ANGOP)

Nos últimos seis meses, vários cidadãos que padecem de obesidade ou sobrepeso têm enfrentado dura batalha para controlar os excessos alimentares, por conta do confinamento social.  

A alimentação saudável e equilibrada é uma das ferramentas fundamentais para a boa saúde, particularmente nesta altura de pandemia, mas há quem fale em dificuldades extremas para “segurar o apetite”, melhorar a dieta e vencer a “guerra” contra a balança.

Desde o começo do confinamento social, em Março último, Feliciana Barbosa tem tido mais tempo para confeccionar alimentos e comer sem controlo, por causa da ansiedade.

Casada, a cidadã é um dos exemplos de centenas de angolanos obesos que viram aumentar a ingestão de alimentos indesejados, motivando mais alguns quilos.

Mãe de três filhos, a funcionária pública conta que ganhou 15 quilos desde o começo do confinamento, saindo do peso ideal de 90 quilogramas para os indesejáveis 105.

Diz-se preocupada com o aumento de peso e admite ter exagerado na ingestão de comidas gordurosas durante esta fase.

“Encontrei a cozinha como refúgio, para combater o stress. Na medida em que confeccionava diversos alimentos para a família, também ingeria quantidades, sem conseguir controlar, desde salgados aos doces, e, por isso, ganhei peso”, lamenta.

Como esta funcionária pública, outros cidadãos se ressentem da mudança de estilo de vida e vão perdendo a guerra contra a balança. Muitos, inclusive, já procuraram por ajuda médica para conseguir ultrapassar a situação.

É o caso de Felizardo da Fonseca, casado, pai de dois filhos, que também passou a estar acima do peso ideal, por causa da mudança de rotina e do isolamento social.

Desde Março, afirma ter ganho 10 quilos, por comer constantemente, mas, ao contrário de Feliciana, a subida de peso, no seu caso, já provoca sinais preocupantes.

Face ao aumento de peso, começou a sentir dores e teve a pressão arterial alterada.

Para controlar a ansiedade de comer, buscou ajuda de uma nutricionista, a fim de perder peso, mas sabe que tem o corpo mais debilitado e a saúde em risco.

Cuidados redobrados

As evidências apontam  que o confinamento trouxe alteração do estado emocional, bem como mudanças de rotina e de hábitos alimentares de muitos angolanos, levados a procurar refúgio na confecção de alimentos, muitas vezes de forma inapropriada.

Especialistas em Nutrição manifestam-se preocupados com o número de pacientes com sobrepeso ou obesos que têm procurado por ajuda nos últimos meses.

Embora não disponham de estatísticas reais sobre o número de obesos em Angola e sobre quantos buscaram assistência desde Março, afirmam que o problema é sério.

A obesidade altera o sistema imunológico e diminui a função pulmonar, ao causar maior resistência nas vias respiratórias e dificuldades para expandir os pulmões.

Por esta razão, é recomendada uma alimentação saudável nesta fase de pandemia.

Fátima de Sousa, nutricionista, aconselha os cidadãos a redobrarem os cuidados e a consumirem alimentos ricos em proteínas, micronutrientes, minerais e vitaminas, para auxiliar e diminuir os riscos dos sintomas de doenças como a Covid-19.

De acordo com vários especialistas, basta ter sobrepeso, por exemplo, para o organismo contaminado pelo novo coronavírus ter a versão mais grave da infecção.

Conforme a especialista, o isolamento social (importante para conter a Covid-19) trouxe a necessidade de um novo olhar sobre o quotidiano da população mundial.

Avança, a título ilustrativo, que, antes da pandemia, atendia, na Clínica Multiperfil, onde trabalha, entre 5 a 8 pacientes com sobrepeso ou obesidade.

Em contrapartida, declara, os números subiram, passando de 10 para 15 pacientes, diariamente.

Segundo a nutricionista, os pacientes do sexo masculino são os que mais procuram pelos serviços médicos, mas chama a atenção para o facto de haver crianças que tendem a comer cada vez mais, face ao cancelamento das aulas.

“A própria ansiedade, por ficar 24 horas em casa, gera mais apetite, e, no caso das crianças, acabam por comer mais. Com isso, acabam por comprar  coisas nada saudáveis", alerta.

Mais frutas e verduras

Para evitar situações desagradáveis, recomenda aos pais para evitarem a compra de comidas industrializadas, optando por dar aos filhos alimentos como frutas e verduras.

Preocupada com o aumento do número de casos no país, Fátima de Sousa defende a necessidade de os obesos buscarem orientação nutricional.

Considera importante que essas pessoas tenham um seguimento correcto e façam os devidos ajustes de cada caso, principalmente durante esta pandemia.

“Os cidadãos não precisam de comer de forma desmedida, encher o prato para se sentirem saciados, devem ingerir pequenas porções e redefinir horários das refeições”.

Estudos revelam que a inflamação causada pelo excesso de peso contribui para piorar o quadro de infecção por coronavírus.

A nutricionista refere que ainda não existem alimentos ou nutrientes milagrosos que evitem ou tratem a Covid-19, pelo que deve haver rigor, para se evitar a obesidade.

“A imunidade é formada por um conjunto de acções, mas uma dieta balanceada com as devidas proteínas ajuda o organismo a manter-se fortalecido para qualquer infecção”, explica, sublinhando ser importante consumir alimentos com proteínas.

Desta lista, diz, constam alimentos de origem animal (carnes vermelha e branca, leite, ovos…) e outros (feijão, soja, ervilha, grão de bico e cereais como arroz e milho).

Recomenda que consumir água potável a cada 15 minutos expele o novo coronavírus. “Esse líquido é fundamental para a saúde e o bom funcionamento do corpo”, reforça.

Aponta para a necessidade de as pessoas terem consciência de se alimentar bem e se abster de hábitos alimentares errados, esclarecendo que uma alimentação saudável e equilibrada impede o aumento de peso e fortalece o sistema imunológico.

Um indivíduo é considerado obeso quando o critério mais utilizado é o índice de massa corpórea (IMC). A obesidade é uma doença crónica, complexa e multifactorial, que está associada a diversas doenças,  entre elas diabetes, dislipidemia, hipertensão arterial, síndrome de apneia obstrutiva do sono, síndrome metabólico, doenças cardiovasculares.

Angola não possui uma estatística exacta de pessoas obesas ou com sobrepeso, mas os números registados durante as consultas nas unidades hospitalares têm feito que os especialistas  busquem respostas rápidas ano após ano.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que um em cada oito adultos em todo o planeta é obeso. A projecção é de que, em 2025, pelo menos 2,3 bilhões de indivíduos estejam com excesso de peso, sendo mais de 700 milhões com obesidade.

Já o número de crianças com sobrepeso e obesidade pode chegar a 75 milhões, caso nada seja feito, incluindo 427 mil com pré-diabetes, um milhão com hipertensão arterial e 1,4 milhão com aumento do acúmulo de gordura no fígado.  

Diante destes números, não restam dúvidas de que o melhor remédio para evitar o sobrepeso ou a obesidade é a alimentação regrada e saudável.

Que a guerra contra a balança é difícil de vencer, isso todo o mundo sabe. Contudo, é importante perceber que o confinamento não pode servir de pretexto para assumir uma alimentação desregrada e entrar para a incómoda lista de obesos.

A Covid-19 não poupa, pelo que todo o cuidado deve ser tido, sejam quais forem os desejos do organismo. Afinal, a saúde está acima de qualquer prato de comida.

Assuntos Angola  

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