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12 Janeiro de 2018 | 16h40 - Actualizado em 12 Janeiro de 2018 | 16h39

Carlos/frio paralisa recolha de lixo em Benguela

Benguela - A empresa Carlos/Frio, uma das duas licenciadas para a recolha e tratamento resíduos sólidos na cidade de Benguela, paralisou a sua actividade, devido ao abandono laboral colectivo dos trabalhadores a partir de 14 de Dezembro, motivado pela falta de salários desde Outubro de 2017.

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Meios de recolha de lixo

Foto: Frederico Herculano

O responsável da empresa Carlos/Frio, Nelson Caetano, que participou num debate radiofónico sobre a temática do lixo na cidade de Benguela, refutou as “acusações infundadas” de alguns administradores de zonas (equivalente a comunas) que a acusam de incapacidade na resposta à demanda, alegando que o Governo da província não está a pagar os serviços prestados. 

“Nós pagamos os salários dos meses de Junho a Setembro, incluindo serviços da operacionalidade da empresa com as verbas próprias da empresa, mas estamos a descapitalizar, porque não entra dinheiro da contra parte da contratante que é o Governo da Província”, lamentou, sublinhando que as ordens de saque emitidas pelo Governo da Província em Novembro passado, até hoje nunca têm liquidez. 

Disse que a empresa está nesta área de serviço desde Maio passado e torna-se difícil sustentá-la sem pagamentos dos serviços prestados, pois só a reposição de um contentor de mil metros cúbicos custa caro e muito mais ainda uma “barca”, maior que o contentor. 

Informou que não se trata de má-fé, visto que os trabalhadores precisam ser ressarcidos pelos serviços que prestam, além de que os camiões e as máquinas de recolha precisam de combustível, lubrificantes, acessórios, maquinistas e motoristas para manejarem os equipamentos. 

Referiu que os trabalhadores decidiram, unilateralmente, abandonar o trabalho, por alegado incumprimentos salariais, apesar de terem dado provas de eficácia nos primeiros meses de actividade, com base em recursos antes disponíveis. 

Por seu lado, em entrevista, hoje, sexta-feira, à Rádio Benguela, sobre a problemática do lixo nesta cidade, Jorge Costa, director do Gabinete do Plano do Governo da Província, reconheceu haver dificuldades no cumprimento contratual, apontando a soma de dois mil milhões e 188 milhões como divida do Estado para com as seis operadoras que trabalham na Baía Farta, Catumbela, Benguela e Lobito, só no ano de 2017.  

Informou que, geralmente, o Governo Provincial celebra contratos válidos por 12 meses, mas no caso vertente foram feitos, oportunamente, alguns pagamentos, mas até ao momento as Ordens de Saque não têm liquidez, o que levou no início desta semana o delegado provincial das Finanças a deslocar-se à Luanda, onde se encontra para contactar o Tesouro Nacional, visando desbloquear a situação. 

“Trata-se de uma gestão de cintura apertada, devido as dificuldades conjunturais que o país está viver”, disse Jorge Costa que esteve acompanhado do responsável da administração de Benguela para a área de infraestruturas e espaços verdes, Ricardo Lomeia, que corroborou na possibilidade da inversão do quadro, através da adopção de um novo modelo de recolha de resíduos sólidos que envolva os munícipes, ou ainda por via da comparticipação financeira destes. 

Admitiu como sendo “critico e até grave” o cenário actual, constituindo-se num problema de saúde pública que requer solução imediata, devido as suas consequências nefastas do lixo no seio das famílias. 

Ambos responsáveis corroboram da ideia que é preciso encontrar um novo método sustentável de recolha de lixo, em colaboração com as comunidades, admitindo ser a saída viável, devido aos enormes encargos financeiros que a contratação de empresas implica. 

Em mensagem de cumprimentos de ano novo de 2017, o então governador da província, Isaac Maria dos Anjos, lamentava o facto de não ter conseguido ressarcir, nos últimos anos, as empresas de recolha de lixo, cujos atrasos haviam elevado a divida para cerca de 15 mil milhões, desde início da década 2010. 

Com o abandono dos trabalhos, a Angop soube de outras fontes que, a Vala do Corinje, principal fonte de drenagem das águas pluviais da cidade, encontra-se numa situação desagradável devido a falta de desassoreamento adequado.

O coordenador da Zona B (do Casseque Marítimo), bairro limítrofe com vala, Manuel Domingos Alberto Felisberto, lamenta o estado Caótico em que se encontra a mesma vala e, diz que, a partir das 18 horas constitui um incómodo fazer a travessia desta, devido a elevada quantidade de mosquitos que invadem os transeuntes. 

Segundo o responsável pela comunidade costeira do Casseque, o bairro em si apresenta sinais de higiene colectiva, mas o contraste está na zona definida para a deposição do lixo (defronte a sede administrativa da zona B) e esta parte jusante da vala que leva os dejectos ao mar. 

Admitiu que o Corinje foi construído sobre um lençol freático, deitando sempre água que desce para a foz (mar) e a sua manutenção deixa muito a desejar, principalmente na área do ponteco que dá acesso ao bairro da Goa. 

Afirmou que a situação é do domínio da administração da zona “B”, pois antes da substituição da operadora “Vista” pela Carlos/Frio, a primeira passava entre duas a três vezes/dia, o que tornava as zonas de actuação mais higiénicas. 

Já o soba António Manuel José Nhanha, do bairro das Capiras, a montante da Vala do Corinje, sublinha que na parte norte da vala a situação é diferente, porque a população participa das campanhas de limpeza. 

“O nosso grande problema é a falta de máquinas e camiões para a remoção do lixo tanto da vala, como de outros pontos do bairro”, disse, criticando a falta de articulação entre as autoridades afins. 

António Nhanha, de 73 anos, lembra que a construção da vala em betão deveria abranger até a ponte férrea, na parte mais ao norte das Capiras, mas a existência de muitas casas junto da vala inibiu as autoridades de prosseguirem com as demolições. 

Tendo em conta as limitações da área em betão, acrescentou, as autoridades municipais se limitam a limpar mais a área cimentada com betão e a população participa com campanhas voluntárias aí onde as autoridades não atingem.    

Por seu lado, o chefe de Departamento de Saúde, Américo Maquina, disse num encontro de esclarecimento com parceiros e autoridades de diversos municípios da província, realizado nesta quinta-feira, que até ao momento Benguela não apresenta nenhum caso de cólera, mas deve continuar com os esforços preventivos. 

Afirmou ter informações de alguma província vizinha de Benguela, não citada, que já registou alguns casos de cólera, por isso tudo deve ser feito para que as medidas preventivas sejam massificadas cada vez mais, porque a difícil situação de saneamento do meio que a província enfrenta é bastante perigosa e deve preocupar todas as famílias. 

Entretanto, o director do Gabinete Provincial da Saúde, António Manuel Cabinda, disse, quinta-feira, que a província de Benguela está a registar desde Dezembro de 2017, cerca de quatro mil casos positivos de malária semanais contra 700 a mil casos/semana que eram diagnosticados no período de tranquilidade da doença, devido as difíceis condições de saneamento do meio, tanto nas zonas urbanas, suburbanas e mesmo nas comunidades da periferia ou interior da província. 

A VistaWeste, Carlos/Frio, AmbiAfrica e a Rangol são algumas das operadoras contratadas pelo Governo de Benguela, operando nas cidades de Benguela, Baía Farta, Catumbela e Lobito, no litoral da província.  

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