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11 Julho de 2018 | 15h02 - Actualizado em 11 Julho de 2018 | 15h01

Mesa redonda marca 20º aniversário da Fundação Sagrada Esperança

Luanda - A realização da Mesa Redonda sobre a economia informal em Angola nos dias 23 e 24 do corrente mês constitui o destaque das actividades alusivas ao 20º aniversário da Fundação Sagrada Esperança que se assinala a 24 de Julho.

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PCA da Fundação Sagrada Esperança, Roberto de Almeida

Foto: Pedro Parente


Esta informação  foi prestada nesta quarta-feira, pelo Presidente do Conselho de Administração dessa fundação, Roberto de Almeida, durante uma conferência de imprensa alusiva a data.

De acordo com o responsável, a Fundação  Sagrada Esperança presta particular atenção sobre esta matéria, visto ter a compreensão de que no âmbito da satisfação das necessidades básicas da população, a economia formal (estatal e privada) não se revelou suficiente para cobrir a demanda da população por bens e serviços diversos.

Foi neste sentido que a sociedade encontrou a informalidade como forma alternativa de completar o vazio deixado pela economia forma.

Roberto de Almeida realçou que no mercado angolano, a economia informal conquistou um espaço tão relevante que passou a ter uma importante função social, porque constitui uma fonte estável de renda para muitas famílias.

Sublinhou que em quase todos os sectores da vida económica e social ao nível das localidades, a economia informal atingiu proporções que dificilmente se pode falar em encetar um combate para a sua extinção, senão pensar na criação de condições para, de forma paulatina, conseguir-se reverte-la em economia formal, possibilitando deste modo o alargamento da base tributária nacional.

Por outro lado, afirmou que ao longo dos 20 anos de sua existência, a Fundação Sagrada Esperança enfrentou  dificuldades a nível da organização interna, porque era necessária uma adequação permanente dos meios e mecanismos de intervenção aos diferentes contextos que o país viveu.

Neste contexto, na década dos anos noventa viveu-se um contexto de emergência e daí o tipo de acções levadas a cabo que eram mais de carácter assistencialista e de reintegração sócio-produtiva.

Com o alcance da paz até ao ano 2010, viveu-se um período em que as operações tinham o carácter de reabilitação e desta parte até então as intervenções estão viradas para aspectos de desenvolvimento, exigindo-se mais investimentos sobre o factor humano, mais organização institucional e mais responsabilidade neste mundo cada vez mais globalizado e que experimenta, na sua generalidade, uma crise financeira gritante.

Segundo Roberto de Almeida, das actividades desenvolvidas ao longo deste período no domínio da assistência humanitária e de reinserção social e produtiva, podem-se destacar a construção de um condomínio de 20 casas do tipo T3 no Bairro "6 de Abril" na província do Namibe para antigos combatentes e suas famílias vítimas das cheias que ocorreram em 2002, devido as chuvas torrenciais que ai se registaram.

Fornecimento de um bloco operatório ao Hospital Central do Luena, na província do Moxico, numa altura em que a província era de difícil acesso por via aérea e rodoviária e muitos dos cidadãos para serem operados tinham que atravessar a fronteira com a República da Zâmbia e a implementação do programa de apoio de emergência a província do Kuando Kubango que contemplou a construção de uma escola e residência para os professores na aldeia do Dumbo,  foram  outras accções levadas a cabo pela  Fundaçao Sagrada  Esperança.

Roberto de Almeida explicou que  a construção da escola  na aldeia do Dumbo foi no quadro do processo de reassentamento da população proveniente das matas, à luz dos acordos de paz concluídos em Abril de 2002, incluindo o fornecimento de material escolar para alunos do ensino primário e secundário, de roupas usadas, cobertores e sapatos, de sementes e utensílios agrícolas e de máquinas para a fabricação de tijolos solo cimento, visando a reintegração produtiva da população.

Frisou que a preocupação central da Fundação consistia na busca de caminhos que contribuam para o alcance da auto suficiência e segurança alimentar do país, sobretudo, num contexto de dificuldades em que a diversificação da economia afigura-se incontornável e a soberania alimentar constitui um factor estratégico para o desenvolvimento local sustentável.

Além do workshop sobre  "Contribuição dos  recursos  fitogenéticos  na redução da fome e da pobreza", a Fundação apoiou igualmente com equipamentos e reagentes para o laboratório do Centro de Recursos Fitogenéticos da Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto que tem vindo a trabalhar em estudos relacionados com a caracterização molecular de sementes de variedades de plantas alimentares, adaptadas às condições locais como clima, solos e resistência às pragas.

No dia 24 de Julho de 1998, quatro membros responsáveis do MPLA, nomeadamente, João Manuel Gonçalves Lourenço,  Marcelino Typinge, Afonso Van-Dunem “Mbinda” e Maria Mambo Café assinaram a escritura pública de instituição da Fundação Sagrada Esperança, uma organização privada de direito Angolano que prossegue fins não lucrativos de natureza cultural, científica e de solidariedade social, visando contribuir para o desenvolvimento económico e social de Angola.

Assuntos Angola   Sociedade  

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