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20 Setembro de 2019 | 19h21 - Actualizado em 21 Setembro de 2019 | 12h13

Huambo no resgate do estatuto de "Cidade Vida"

Huambo - A administração do município do Huambo, capital da província com o mesmo nome, procura resgatar, nos próximos tempos, o estatuto de "Cidade Vida", como outrora era chamada, com a requalificação das ruas da urbe, para que as mesmas tenham uma imagem mais atraente e condizente com o seu traçado arquitectónico.

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Arterias da Cidade do Huambo

Foto: Julio Vilinga

Por: Aurélio Janeiro

Igualmente conhecida, no passado, como Nova Lisboa, uma réplica da capital portuguesa (Lisboa), a região que alberga, actualmente, um milhão e 100 mil habitantes, festeja neste sábado 107 anos, deste a sua fundação pelo então governador-geral de Angola, general José Mendes Ribeiro Norton de Matos, com novos projectos de desenvolvimento.

Em declarações à ANGOP, o administrador do município do Huambo, João Calão Manuel Figueiredo, disse que, nos últimos anos, a cidade do Huambo conheceu um grande crescimento, quer na dimensão económica, social, infra-estrutural, quer do ponto de vista demográfico, que, por sua vez, exige da administração o reforço das políticas públicas.

Este processo, argumentou, tem sido acompanhado da construção de novas infra-estruturas sociais como escolas, unidades sanitárias, fábricas, estabelecimentos comerciais, entre outras, que têm contribuído para o seu desenvolvimento económico-social.

A título de exemplo, fez menção ao facto de, neste momento, estar em fase de acabamento uma escola do ensino primário, dois postos de saúde e igual número de sistemas de abastecimento de água potável, estes últimos com o objectivo de contribuir também para a redução das doenças de origem hídrica e melhorar a qualidade de vida da população.

O sector da educação no município do Huambo conta, no presente ano lectivo, com um total de duas mil e 577 salas de aula, onde estudam mais de 310 mil alunos, do ensino primário ao II ciclo do ensino secundário, incluído os magistérios primários e as escolas de ensino técnico-profissional.

Já em relação à saúde, João Calão Manuel Figueiredo informou, sem apresentar dados, que o sector obteve ganhos significativos com a expansão  dos serviços a todas as localidades, através da construção e reabilitação de centros e postos de saúde, que estão a permitir a prestação de atendimento médico e medicamentoso, de forma oportuna e humanizada.

O gestor municipal lembrou que o Huambo é uma cidade em que, apesar de algumas limitações conjunturais, o saneamento básico deixou de ser problema, graças à parceria existente entre a administração e os habitantes, que quinzenalmente saem à rua, para intensificação de campanhas porta-a-porta.

Os mesmos, segundo o responsável, auxiliam as autoridades na recolha de resíduos sólidos e na jardinagem, para tornar a urbe cada vez mais atraente e numa das mais limpas do país.

"Ainda não conseguimos fazer uma cobertura total em termos de saneamento básico, sobretudo na periferia, cujos problemas são conhecidos, pois que, apesar de ser uma cidade limpa, o seu elevado índice de população trás também mais problemas neste capítulo”, enfatizou.

Por este motivo, disse, constitui um desafio para a administração repor o estatuto de Cidade Vida de Angola, com base no trabalhos para a melhoria dos jardins, bem como na criação de outras iniciativas afins, dentre as quais, o ordenamento do trânsito, a proibição de paragens em avenidas e defronte à instituições públicas, o reforço da iluminação pública e a distribuição de terrenos infra-estruturados para auto-construção dirigida.

De modo geral, João Calão Manuel Figueiredo disse ser fundamental que cada cidadão se sinta como dono da cidade e trabalhe no seu cuidado, preservando bens públicos e, ao mesmo tempo, denunciando possíveis indícios criminais.

Os habitantes desta cidade, no planalto central de Angola, que encaram o futuro com olhos radiantes no processo económico-social, são conhecidas como hospitaleiros, trabalhadores, humildes e dedicados, daí a importância do seu envolvimento na melhoria da imagem da região que luta para se tornar na Capital Ecológica de Angola.

Energia e água, expoentes do crescimento

Três subestações eléctricas, localizadas no perímetro florestal do Sacaála, no bairro Cambiote e na zona industrial da Chiva, arredores da cidade, com a potência de transformar e distribuir, em cada uma delas, 50 megawatts, 40 dos quais já disponíveis, entraram em funcionamento esta semana, com o fim de reforçar a rede domiciliar e pública.

Erguidas em 18 meses por uma empresa chinesa, estas três subestações eléctricas vão permitir efectuar 48 mil ligações (16 mil para cada uma), no quadro da execução do projecto de electrificação e ligações domiciliares da cidade do Huambo e arredores, cujos contratos de efectivação foram assinados em 2016, pelo Ministério de Energia e Águas.

Na construção das mesmas, que recebem energia eléctrica a partir das centrais térmicas do Belém e Benfica, também nos arredores da cidade do Huambo, foram empregues 180 milhões de dólares norte-americanos, correspondendo a USD 60 milhões por subestação.

Com estas três subestações, a província do Huambo passa a contar com quatro, que recebem energia de alta tensão e a transformam em média tensão, para posterior distribuição aos postos de transformação onde a energia é convertida em baixa tensão antes de chegar aos consumidores.

Quanto às fontes de produção eléctrica, estão disponíveis, na província, o aproveitamento hidroeléctrico do Ngove, com 20 megawatts, as centrais térmicas do Benfica, com 30 megawatts, e a do Belém, com 50 megawatts.

Desde Abril deste ano, a província do Huambo passou a receber 70 megawatts de energia produzida na barragem hidroeléctrica do Laúca, na província de Malanje.

No capítulo da distribuição de água potável, pretende-se a instalação, nos próximos dois anos, de um total de 90 mil ligações domiciliares, de modo a fazer face aos desafios do crescimento populacional, estimado, segundo o Censo de 2014, em um milhão e 100 mil habitantes.

Actualmente, existem na cidade do Huambo aproximadamente 220 mil moradias com abastecimento regular de água potável, numa altura em que foram já efectuadas 21 mil ligações domiciliares nos bairros do Benfica, Calilongue I e II, Caquerewa, Chiva e Lufefena, arredores da cidade do Huambo, com um percurso de 95 quilómetros de rede de distribuição de água à população.

Comemorações

A cidade vive, desde o dia 1 de Agosto, uma agitação total, festa e folia, ambiente que se nota nas suas principais artérias, tornando-se pequena para os milhares de visitantes e turistas de diferentes pontos do país, ávidos de participar nas comemorações dos 107 anos de existência.

Actividades músico-culturais, desportivas, recreativas, lançamento de pirotecnia (fogo de artifício), desfiles de moda e a Gala de Premiação “Huambo Cidade Vida”, que distingue profissionais que mais se destacaram nas suas áreas de actividade, tendo em conta a criatividade, personalidade, responsabilidade e vontade de contribuir no desenvolvimento da província, vão preencher o programa comemorativo dos 107 anos da ascensão desta região à categoria de cidade.

Breve historial

O nome da urbe se deve ao exímio caçador Wambo Kalunga, que, oriundo da região do Waku Kungo (Cuanza Sul), foi instalar-se, no século XV, no território da Caála, nesta província, nas zonas do Ussombo, Makolo e Kondombe.

Contrariamente ao que muitas fontes históricas sustentam, não foi este caçador quem fundou a cidade do Huambo, mas sim o general José Mendes Ribeiro Norton de Matos.

Logo após a sua fundação, a cidade do Huambo deu um grande impulso para a vida económico-social, principalmente no ramo do comércio, indústria, agricultura, pecuária e construção de infra-estruturas sociais, cujos efeitos positivos e significativos para o desenvolvimento da província tornaram-na numa referência nacional em diversos domínios da vida.

Em 1928, período em que Vicente Ferreira foi governador-geral de Angola, a cidade do Huambo, de acordo com a "Carta Orgânica de Angola", Título I, foi proposta à capital do país, além de a terem atribuído a designação de Nova Lisboa, em homenagem à cidade de Lisboa, capital de Portugal. Vigorou o nome, mas a capitalidade não vingou por várias razões.

Reza a história que a planta da cidade do Huambo foi feita um ano depois da sua inauguração, em 1913. A política estabelecida por Norton de Matos, enquanto governador-geral de Angola, preconizava o desenvolvimento do interior, enquadrando-se aí a criação da cidade do Huambo.

Este governante, aliás, não se limitou a criar a cidade, mas também procurou desenvolvê-la ao máximo, com diversas medidas posteriores, como a concessão de terrenos à empresas comerciais, a instalação de uma câmara municipal, de escolas, de uma delegação da fazenda e a criação de uma granja agrícola experimental, e um posto pecuário de observação e tratamento de gados.

Davam-se, assim, os primeiros passos importantes para o desenvolvimento daquela que, em poucos anos, se transformaria na segunda cidade de Angola, num centro de formação civil e militar importantíssimo e numa urbe possuidora do segundo parque industrial do país.

Contudo, os 107 anos de existência da cidade do Huambo devem ser divididos, para melhor compreensão, em quatro períodos: o 1º vai de 1912 a 1928, o 2º de 1928 a 11 de Novembro de 1975, o 3º de 1975 a 2002 e o último de 2002 até ao presente.

Os dois primeiros distinguem-se por serem marcados pela ocupação, exploração e humilhação dos nativos, lembrando que a cidade de Nova Lisboa, como era conhecida na era da colonização, estava dividida em cidade propriamente dita, bairros e sanzalas.

No 3º período, não obstante o conflito armado, o desenvolvimento como tal esteve estagnado, mas a formação de indivíduos no ensino médio e superior era notável, ao passo que o 4º e último período, de 2002 até a presente data, embora seja o mais curto é o maior em termos de realizações, já que a cidade está a conhecer melhorias substanciais em todos os domínios.

Assuntos Província » Huambo  

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